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Um passo à frente

Homem de muitas funções, o empresário Rodolfo Montosa não se entrega à ditadura do relógio. Consegue organizar seu tempo para tudo e um pouco mais.

Diretor de empresa com mais de 300 funcionários e presidente de uma associação com 200 participantes que movimentam cerca de R$ 18 bilhões por ano, era de se esperar que o empresário londrinense Rodolfo Montosa fosse daqueles que nunca desligam o celular - mais de um, aliás. Na verdade, o celular, do tipo que recebe e envia e-mails, está sempre ligado. A diferença é que ele simplesmente não atende quando acredita que o que está fazendo no momento exige total dedicação. Foi assim durante toda a entrevista para a FOLHA, que durou mais de uma hora. 'Tem duas pessoas esperando para falar comigo. Elas sabem que quando estiver com elas, eu estarei com elas', explica o empresário. 'Quando estou num assunto, esqueço os outros. Gosto de viver inteiramente', diz. 

Às vésperas de completar 40 anos, Montosa é dono de um currículo impressionante. Há dois anos, ele não só foi o mais jovem presidente a assumir a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac) como também foi o primeiro fora de São Paulo, onde está a maioria dos associados. A gestão foi tão bem-sucedida que ele se prepara para continuar no cargo depois de ganhar novamente a eleição, que por sinal só teve uma única chapa. 

Apesar do negócio de consórcios estar na família há três décadas, o empresário não seguiu o caminho clássico, levado para trabalhar muito cedo ao lado do pai. Antes de assumir a direção do Consórcio União, ele trabalhou no setor de consultoria em São Paulo. Foi na capital paulista que Montosa estudou, se formou e conseguiu o primeiro emprego. Sempre precoce, entrou na faculdade - a conceituada Fundação Getúlio Vargas - aos 16 anos. Aos 20 já estava formado, empregado e casado. 'Só prestei um vestibular. Sabia que era aquilo que eu queria', lembra. 

Só voltou para Londrina depois de alguns anos e pelas mãos de um dos sócios do pai, que o contratou. Desistiu das muitas viagens internacionais a trabalho em troca de qualidade de vida. 'Aqui consigo almoçar em casa todos os dias', garante. 'Por mais que eu ainda viaje muito, quando estou aqui consigo ter qualidade', completa. 

E as viagens são semanais, tanto para São Paulo - sede da Abac - quanto para Brasília, onde confere de perto a quantas anda a tramitação do projeto de lei para os consórcios. A expectativa é que até o final do ano a lei seja aprovada. Hoje são 3,8 milhões de consorciados ativos no País. A nova lei, segundo Montosa, criará o consórcio de serviços - os tratamentos odontológicos entrariam nessa categoria - que ainda é proibido e também regulamentará o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) nos consórcios. 

Casado há 19 anos com a pediatra Cibele e pai de Ana Beatriz, Giovana e Gustavo, o empresário encontra motivação na sua variedade de atividades. 'Li em livro que temos que viver como em um jardim de infância. Lá as crianças dormem um pouquinho, brincam um pouquinho, estudam um pouquinho...', explica. Seguindo essa filosofia, Montosa se dedica aos negócios, à família e ainda encontra tempo para exercer sua fé. Até o final do ano, ele deve se ordenar pastor da Igreja Presbiteriana Independente. Formado em teologia, ele vem se preparando para assumir mais essa responsabilidade. 

Músico e compositor gospel, o empresário já gravou três CDs e recentemente recebeu a notícia que uma de suas canções terá versão em espanhol. 'A música é um canal de expressão da minha fé', explica Montosa. 'Sou boêmio, mas daqueles que ficam em casa. Desde a adolescência a música é minha companheira', conta o empresário, que passa boas horas tocando violão ao lado dos filhos e da esposa. Não por acaso, o último CD se chama Madrugada. 'Antes eu dormia muito pouco, agora durmo sete, oito horas por noite'. Outra mudança no dia-a-dia do empresário é ter trocado a corrida pela bicicleta. Dias atrás, ele foi de Curitiba para o litoral pedalando cerca de 110 quilômetros. 

Administrador exemplar de seu próprio tempo, Montosa ensina que tem sempre a imagem de um aquário, pedras grandes e médias e um pouco de areia. 'Colocando a areia primeiro, depois as pedras médias e por último as grandes, estas vão ficar para fora. Se a gente coloca as grandes primeiro e depois as médias, a areia vai se encaixando. Se os assuntos mais vitais estão no lugar, como a família, os outros se ajeitam', garante. 

Além da expectativa com a nova lei e do projeto de um novo CD, o empresário se prepara também para um lançamento no ramo imobiliário. Ele ainda faz segredo sobre os detalhes da novidade, mas avisa que tudo será conhecido a partir do segundo semestre. Desde que assumiu seu lugar na empresa, ele multiplicou a clientela, passando de 6 mil para 30 mil clientes. 

Os funcionários, pelo jeito, também não têm do que reclamar. Há um ano, Montosa criou um encontro semanal: o café da manhã de sexta-feira, que é reservado para a conversa com seis funcionários. 'É um encontro sem censura', avisa. Entre um quitute e outro, patrão e empregados falam sobre tudo. 'E assim eu tenho uma percepção da empresa', diz. 'Queremos crescer, mas de uma forma sustentável', afirma. Dá para acreditar. 

Coerência e consistência 

'Não adianta falar o que não se quer fazer 
Não adianta mandar o que se recusa obedecer 
Não adianta esconder, atrás de máscaras disfarçar 
Mais importante é viver do que aparentar 
O que se quer nos dias de hoje é coerência 
Entre o que se diz e a aparência 
O que se quer nos dias de hoje é consistência 
Entre o que se fala e a experiência 
Coerência e consistência 
Pra você não ser pego de assalto 
Coerência e consistência 
Pois o que você faz fala mais alto 
Pois o que você faz fala mais 
Pois o que você faz 
Fala muito mais'.

Publicado em: 18 março 2007.
Veículo: Folha de Londrina // Folha Gente