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Sucesso: para uns um sonho, para outros um pesadelo


Sucesso! Uma palavra de apenas três sílabas, mas que pode se traduzir no investimento de toda uma vida, seja no campo profissional ou pessoal. Para alguns, parece inatingível, para outros surge a partir de muita dedicação, metas traçadas, determinação, recomeço. Há pessoas que considerem sucesso ter êxito na carreira, assumir um cargo elevado e, ao final do mês, ter uma conta bancária "generosa". Para outros, pode ter uma conotação de elevação espiritual, de uma aproximação mais expressiva com o Criador do Universo. Seja como for, o sucesso mexe com o ser humano e pode trazer mudanças expressivas para a vida de qualquer um. 

Para o consultor Marco Fabossi, sócio-diretor da Crescimentum e especialista em liderança organizacional, o profissional de sucesso é aquele que não se conforma com o possível, mas busca diariamente fazer o melhor. É alguém que em vez de se comparar com as outras pessoas e profissionais, busca comparar-se consigo mesmo, buscando melhorar a cada dia.
Mas, ele faz um alerta para o fato de que a busca frenética pelo sucesso, pode gerar alguns problemas, mesmo para aquelas pessoas consideradas bem-sucedidas. "O mundo corporativo está repleto de profissionais em posição de destaque e, infelizes, doentes, ansiosos, estressados, distantes da família e dos amigos, tomando medicamentos para dormir e, infelizes. Como coach percebo que o nível de infelicidade das pessoas na área profissional dá-se, principalmente, pelo fato delas traçarem seus planos de carreira baseados naquilo que elas veem no mundo exterior, como se o que é bom para os outros, certamente será bom para mim também. Antes de traçar uma estratégia para o sucesso é preciso olhar para dentro e se perguntar, e responder sinceramente: o que significa sucesso pra mim? Quais são meus principais valores? Qual é o legado que pretendo deixar durante a minha jornada?", aconselha. Confira a entrevista concedida ao RH.com.br.

Marco FabossiRH.com.br - Como as pessoas têm percebido o significado do sucesso, principalmente no campo profissional?
Marco Fabossi - Bem, as pessoas percebem o sucesso de maneiras diferentes. Contudo, ainda prevalece para a maioria das pessoas a noção de que o sucesso profissional está ligado a ocupar uma posição de destaque, com diversos subordinados, ganhar muito bem e, com isso, conquistar reconhecimento em seu círculo social.

RH - O que caracteriza um profissional de sucesso?
Marco Fabossi - Profissional de sucesso é aquele que busca fazer o que gosta, compreendendo que para isso é necessário também aprender a gostar do que faz, e por isso não sofre ao ter que fazer tarefas supostamente "chatas", porque sabe que isso faz parte do caminho para que ele possa fazer o que gosta. Um exemplo é o jogador de futebol que gosta de brilhar nos campos aos finais de semana, mas sabe que para que isso seja possível, é preciso acordar cedo e treinar todos os dias, faça chuva ou faça sol, ficar concentrado, e longe da família. Talvez ele não ame esta segunda parte, mas precisa aprender a gostar dela, porque sem isso ele não consegue fazer o que gosta. Profissional de sucesso é aquele que não se conforma com o possível, mas busca diariamente fazer o melhor. Alguém que em vez de se comparar com as outras pessoas e profissionais, busca comparar-se consigo mesmo, buscando melhorar a cada dia. Profissional de sucesso é aquele que não abre mão de seus valores e das pessoas mais importantes de sua vida em troca de reconhecimento. Profissional de sucesso é aquele que ajuda a construir um futuro melhor para todos os que estão ao seu redor.

RH - Para alcançar o sucesso desejado, é preciso traçar uma estratégia, um plano de ação?
Marco Fabossi -
Muitos de nós conhecemos pessoas que alcançaram sucesso sem qualquer planejamento, contudo, esta não é a regra. Algo que ilustra essa situação é a pesquisa realizada em Harvard entre 1979 e 1989. Em 1979, a seguinte pergunta foi feita aos formandos de Harvard: - Você estabeleceu metas claras e por escrito para o seu futuro? Você estabeleceu os planos para concretizá-las? Apenas 3% dos formandos tinham metas claras, escritas e com planos de ação. 13% tinham metas, mas não as tinham por escrito e, tampouco tinham planos de ação para atingi-las. Os outros 84% não tinham qualquer meta específica, a não ser terminar o ano letivo e curtir o verão. Dez anos depois, em 1989, os pesquisadores voltaram a entrevistar as mesmas pessoas. Constataram que os 13% que tinham metas não escritas estavam ganhando, em média, o dobro dos 84% que não tinham meta alguma. O mais surpreendente é que os 3% que tinham metas e planos claramente definidos, por escrito, em média, ganhavam dez vezes mais que os outros 97% juntos. Sem objetivos e metas, não temos ideia de aonde queremos chegar e, se não sabemos aonde queremos chegar, somente nos restam duas opções: chegar a qualquer lugar ou a lugar nenhum. Estabelecer metas, fazer planos e traçar estratégias certamente não garantem que tudo ocorrerá exatamente como planejado, contudo, sem isso chegaremos muito aquém de onde poderíamos.

RH - O que se torna indispensável para uma estratégia com foco na obtenção do sucesso?
Marco Fabossi -
Autoconhecimento. Como coach percebo que o nível de infelicidade das pessoas na área profissional dá-se, principalmente, pelo fato delas traçarem seus planos de carreira baseados naquilo que elas veem no mundo exterior, como se o que é bom para os outros, certamente será bom para mim também. Antes de traçar uma estratégia para o sucesso é preciso olhar para dentro e se perguntar, e responder sinceramente: o que significa sucesso pra mim? Quais são meus principais valores? Qual é o legado que pretendo deixar durante a minha jornada? Do que estou disposto a abrir mão? Quais são meus pontos fortes e fracos? O que eu gosto de fazer? No que eu sou realmente bom? O mundo corporativo está repleto de profissionais em posição de destaque e, infelizes, doentes, ansiosos, estressados, distantes da família e dos amigos, tomando medicamentos para dormir e, infelizes. Simplesmente porque não se fizeram essas perguntas básicas.

RH - Então, o sucesso pode se tornar uma "armadilha" para a infelicidade?
Marco Fabossi -
As pesquisas mostram que grande parte dos profissionais supostamente bem-sucedidos estão infelizes. Nos últimos meses temos visto vários casos de altos executivos deixando sua