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Conversa sobre Liderança

Esta entrevista na verdade é uma conversa sobre liderança com Carlito Paes, o Pastor Sênior da Igreja da Cidade em São José dos Campos e da Rede de Igrejas da Cidade, com 20 igrejas já plantadas e outras em processo de plantação . Atualmente a igreja conta com mais de 17 mil membros e 42 pastores ordenados. Carlito é líder fundador da Rede Inspire de Igrejas, que reúne mais de 320 igrejas de várias denominações no Brasil, Europa e Estados Unidos. Idealizador do Colégio Inspire e da Rádio Cidade. Natural de Macaé (RJ), é Bacharel e Mestre em Teologia. É conferencista sobre liderança e autor de diversos livros – 22 publicados pela Editora Inspire, dentre eles “Homens Imparáveis”“Encontros com Jesus” e o devocional “Bom dia Jesus!”, e 4 pela Editora Vida, dentre eles “Igrejas que Prevalecem”É casado com a pastora Leila Paes e pai de quatro filhos. Vive em São José dos Campos desde 1997.

Carlito Paes1) Vamos começar com seu livro “Homens Imparáveis”. Muitos pastores, líderes e cristãos têm parado diante das adversidades. Quais os atributos/características dos homens imparáveis? Alguma sugestão para não parar?
“Homens Imparáveis” é um livro pequeno escrito com letras grandes que tem como ideia principal falar sobre o que está parando os homens. Sua primeira parte fala sobre os perigos que estão levando pessoas a terem sua vida numa sobrevida ao invés da vida plena que Deus tem para cada um de nós.

Trabalho desde a questão de alimentação, exercício físico, equilíbrio emocional, a Inteligência Emocional porque são coisas que se não forem observadas você vai ter sua vida abreviada desnecessariamente então os capítulos começam nessa questão do cuidado, da análise do que você pode estar sofrendo fruto dessa falta de equilíbrio. Depois falo sobre o lado positivo, do que fazer para você ser um homem imparável.

A palavra imparável não é usual, por isso que a usei. Deus tem um destino para cada um de nós que o mundo não pode deter, o diabo não pode deter, mas nós podemos sabotar o projeto de Deus em nós mesmos com nossa falta de cuidado.

Nós temos uma corrida, temos que avançar e sermos imparáveis. Em nosso papel como cristão, cidadão, marido, para cumprir o propósito de Deus, porque não fomos feitos para enfartar aos 50 anos de idade ou ter uma crise de ansiedade com 30. Abordo estas questões para observar os aspectos negativos para não mais fazer e positivos para avançar.

A primeira Edição do livro vendeu no lançamento 3 mil exemplares e agora já está na terceira Edição pela nossa Editora Inspire. O meu último livro foi o nosso devocional anual “Bom dia Santo Espírito” que conta com 365 meditações sobre o Espirito Santo, eu convidei colegas para escrever comigo e fui o coordenador destas devocionais para o ano inteiro, o livro já vendeu 12 mil cópias. Eu procuro escrever livros sobre a Vida Cristã e a Liderança. Já escrevi 24 livros, mas eu não sou escritor eu sou pastor e palestrante.

2) Um desses livros é “Supere suas perdas” em co-autoria com sua esposa. Vivemos momentos de tragédias nacionais: o rompimento da barragem em Brumadinho, as inundações no Rio de Janeiro e o Incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo. O que dizer para as pessoas que estão passando por perdas?
Coisas ruins acontecem com pessoas boas. Às vezes o cristão tem aquela mentalidade que a aqui na terra só coisas boas deve acontecer, mas a Terra é um estágio intermediário. O plano de Deus não é a terra, a Terra é um lugar para cumprir um propósito. O grande problema é que as pessoas não entendem que a terra não é um lugar para ser feliz e muitos cristãos embarcam nessa e esquecem que a Terra é para cumprir uma jornada, para crescer e isso significa passar por dores, como o descrito no processo da poda, em João 15.

Então eu tenho que manter o foco se eu estou aqui para cumprir um propósito não estou aqui por mim mesmo. Eu tenho que manter o foco em Deus e entender que eu estou aqui na terra para uma missão Dele. Se eu estou aqui colocado por Ele, Ele não vai me deixar desamparado, Deus é Pai e eu, sou filho. Então devo trazer sempre a memória o que eu sou nele, eu estou aqui na terra criado por Ele para cumprir um propósito.

Temos a prova que ele está comigo em Atos 1 quando Ele sobe ao Pai e em Atos 2 quando envia o Espírito Santo, o consolador. Qual a função de um Consolador? Para consolar, certo! Então devemos encarar que o sofrimento na terra infelizmente deve ser visto como algo que estava no “pacote”. Ele infelizmente estava. A dor, a morte, o sofrimento, a injustiça. Não estou dizendo com isso que eu quero o sofrimento. Eu só estou dizendo que eu tenho que entender que isso faz parte da vida na Terra. Só acontece comigo? Não, acontece com todo mundo, todo mundo perde pessoas, todo mundo sofre.  A grande questão é cuidar para que eu não seja o responsável.

Por exemplo, para os funcionários da Barragem que estavam lá foi um acidente, mas, para os responsáveis da Empresa, não. Sobre eles cai a responsabilidade por ter causado o acidente. Então, eu tenho que viver na terra de uma maneira para que eu não seja instrumento de dor, sofrimento, morte e sim, de alivio. Nossa missão é curar e libertar o mundo e não adoecer e aprisionar o mundo.

Nossa missão também é viver um relacionamento com o Pai. Relacionamento pessoal de amor com Deus. As coisas básicas que recebo eu só agradeço e eu peço os desejos porque ele é um bom pai e quer me dar aquilo que eu desejo também, o pai tem prazer em ouvir seu filho.  Daí vem o recurso da oração. A regularidade na oração é para que eu possa desenvolver um relacionamento íntimo, pessoal de amor com Deus para que eu possa agradecer e ter intimidade com Ele. E a intimidade gera autoridade.

3) Sua Igreja tem 17 mil membros, 1.300 células e você lidera 42 pastores envolvidos em diversos Ministérios. Poderia falar um pouco sobre isso?
Quando pensamos em administração da igreja a gente fala de dois tipos de igreja: a igreja local e a denominação. No nosso caso nós temos o meio do caminho dos dois. Nós deixamos de ser uma igreja local mas continuamos sendo a denominação Batista, ou seja, esta “igreja local” reúne-se em vários sites. Tem a mesma visão e a liderança do mesmo pastor. É uma tendência global que já estava em Atos.

É uma tendência Global, pois o crescimento das cidades e das dificuldades de logística faz com que toda igreja tenha dificuldade com espaço e estacionamento. Mas as pessoas não querem mudar de igreja elas querem continuar tendo a mesma liderança e sendo a mesma denominação.

A igreja primitiva não tinha denominações ela estava em Éfeso, Corinto, Pergamo e etc...., mas, era a mesma Igreja. Uma igreja em multilocais. Dessa forma, nós temos 8 igrejas na cidade de São José e 20 nas cidades ao redor, todas elas têm o mesmo tema no sermão, a mesma visão e eu sou o pastor -líder.

Rick Warren tem uma expressão:Ou você controla ou cresce, as duas coisas não são possíveis e se crescer debaixo de muito controle, cresce doente”.

Nós conseguimos um grau de maturidade para separar bastante os chamados “negócios ministeriais da igreja” para que os pastores não fiquem sobrecarregados com coisas que não são demandas pastorais.

Então nós temos 15 organizações todas elas têm seu CNPJ todas elas têm o seu Líder Executivo então, por exemplo: Colégio tem o executivo do colégio, Instituição social, faculdade, enfim, os pastores não se envolvem, eles cuidam é da igreja. Os pastores estão focados em Células, Aconselhamento, Pregação e Multiplicação de Liderança esses são os quatro pilares de ação deles.

Temos quatro categorias de pastores: pastor bivocacionado, pastor voluntário, pastor de tempo integral e os pastores aposentados que dão o seu tempo na igreja, nenhum deles tem responsabilidade administrativa.

4) O que poderia dizer do seu livro “Liderança de Células”?
Na Igreja estamos em uma fase de transição. O que percebemos é que as células estavam muito cuidadores e o ser humano tende a ir para a zona de conforto, então algumas pessoas ficam numa passividade relacional e social. As pessoas chegam nas células e ficam e vão perdendo o ardor evangelístico, missionário e multiplicador de liderança. Então nós mudamos o foco de um currículo que era basicamente de educação e pastoral para um currículo mais de liderança e hoje todos os estudos das nossas células visam mais em equipar uma pessoa para vida e para liderança para que ela seja mais ativa e menos passiva. Também trabalhamos para que uma célula se multiplique em 1 ano. Essa multiplicação revela que realmente o líder tem perfil de líder (liderança).

5) Rede Inspire, como funciona?
A Rede tem 8 anos. As pessoas começaram a pedir sermões e estudos bíblicos e mentoria percebi que conseguiria fazer isso com 10 igrejas então pensei em criar a Rede Inspire, um ministério que possa ter tudo o que a gente produz na igreja, assim é mais efetivo.

São Igrejas de diversas denominações e localidades que identificam o que elas querem: sermões em português e inglês, esboço em Word, Power Point, treinamento de adolescentes, jovens, terceira idade, campanhas, artes gráficas, mentorias de ministérios, coberturas de oração. Com a taxa que as igrejas pagam temos uma equipe só para Rede: um responsável por vídeos, outro para artes gráficas, uma gestora, administrativo. Todo nada lucro adquirido é revertido em Conferências e Treinamentos para as Igrejas da Rede.

Rede não faz: nada jurídico, teológico, denominacional, discipulado e financeiro. Trabalhamos com cobertura de oração, mentoria ministerial, mentoria pessoal para o pastor, pregação, série de mensagens.

6) E a família?
Você não conseguirá que sua família ame o ministério e a Igreja se você fala mal do ministério, e se ele for um peso, um fardo. Eu tenho 4 filhos e conheci minha esposa num ambiente vocacional eu estudava no seminário e ela estudava no antigo IBM Instituto Batista de Educação Religiosa. Eu fiz Mestrado e ela fez Psicologia, um tempo depois. A Leila é mais pastora, gosta do aconselhamento e eu sou mais executivo, voltado para liderança.

A Leila também está voltada à adoração e temos um espetáculo que é o maior espetáculo de Páscoa do Brasil em ambiente fechado, feito em São José dos Campos reunindo 40 mil pessoas com 3.000 decisões para Jesus. Já está em sua 17ª edição.

Os meus 4 filhos são membro da Igreja e voluntários envolvidos em Ministérios, meus dois filhos menores são gêmeos, um vai fazer administração e outro Engenharia e as duas filhas maiores que uma faz letras na Unicamp e a outra faz Direito em São José dos Campos todas elas também envolvidas no dia-a-dia ministerial da igreja uma está namorando para casar. Graças a Deus que os filhos foram juntos nesse contexto ministerial.

A dica para o líder é trazer a família junto. E se você contar um problema conta também a solução. Quando colocar um problema, colocar que o problema está no gênero humano e não por ele ser crente ou não crente.  Uma pessoa caiu em Adultério, isso é do ser humano quando você pega os índices do adultério dentro da igreja é infinitamente menor do que no mundo. Na igreja você terá todo tipo de problema, mas é infinitamente menor do que acontece no mundo. Dentro da arca tem problemas, mas tem o amor.

Quando Deus criou o ser humano, Ele criou a família e Ele criou a Igreja, da família. A pessoa diz: eu não quero uma Igreja família. Como assim? Você quer uma Igreja empresa? O modelo de Deus para a Igreja é o modelo da família, quando a igreja cresce daí você tem que saber aonde é organicamente uma igreja família e onde que é a parte administrativa legal que não é para ser família. Por exemplo, uma pessoa que trabalha com CLT na Igreja, você está falando de um serviço, tanto você como Igreja que está pagando como a pessoa que está fazendo o serviço tem que entender a diferença. (Precisa de nota fiscal, cumprir prazos, horários, valores e etc.... de ambos os lados).

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