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Deixemos nossos baldes


Publicado em 14.02.2017
"Quanto à mulher, deixou o seu cântaro..." João 4.28

Em João 4.3-28, a Bíblia nos relata o maravilhoso encontro do Jesus com a mulher samaritana. Durante o ministério terreno de Jesus ele percorreu a Galileia, a Judeia, Pereia, estando em muitos lugares e vilarejos, em curto, mas profícuo, ministério terreno Mt 4:23.
No texto, lemos que Jesus deixou a Judeia, pretendendo chegar a Galileia ao, norte, sendo-lhe necessário passar por Samaria, vizinhos não receptivos, onde há muito tempo atrás, barreiras religiosas, culturais, étnicas, haviam se levantado entre os dois povo, confira em II Reis 17.6-24.
Apesar destas barreiras, em sua presciência Jesus não deixou de se aproximar de uma alma necessitada, carente de transformação. Ela mesma, a mulher samaritana, não sabia, talvez porque Deus seja assim mesmo, faz-nos surpresas e revela-se a nós em circunstancias adversas, impróprias, impensáveis.

O texto bíblico aponta-nos sobre o lugar que seria cidade de Sicar; poço de Jacó; herdade de José, sendo o horário pouco convencional; ao meio dia, horário onde escravos e mulheres não escolheriam normalmente para irem ao poço buscar água.
No horário e lugar escolhido, O filho de Deus, o verbo encarnado, orienta seus discípulos a irem até a cidade comprar comida e sozinho, sentado a beira do poço, pôde esperar aquela que seria a pessoa menos escolhida por alguns, para ser interpelada, vasculhada em seu ser, beneficiada pelo encontro, por fim, transformada através de sua própria experiência pessoal em a samaritana "evangelizadora", a preletora por um dia em Samaria.
O texto aponta-nos que Jesus é quem puxa a conversa, pede um pouco de água, do balde, do copo dela, e aos poucos vai se revelando àquela mulher, aparentemente frustrada, desapontada. ("não tenho marido" Jo 4.17)

No encontro provocado Jesus oferece à mulher, àquela alma sedenta, experiências jamais vividas até então por sua fé e religião e com o transcorrer da conversa leva-a a níveis espirituais elevadíssimos... "Vejo que tu és profeta" Jo 4.19. O Mestre lhe dá diretrizes, norteia sobre a verdadeira adoração , sobre os adoradores que o Pai busca e a conecta com o "tempo escatológico"  (o tempo chegou e é agora, onde os verdadeiros adoradores, adorarão o pai em espírito e em verdade" Jo 4.23)
Assim neste encontro, a mulher que veio só buscar água, o que seria uma tarefa corriqueira, vivenciou um encontro transformador, divisor de águas!
Do encontro despretensioso á convicção de que está diante de um profeta, ela segue em argumentação sobre sua esperança messiânica, anunciado por seu povo, seus lideres religiosos.  "A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo" Jo 4.25

Na experiência do encontro, Jesus a conduz ao âmago da alma humana, ao ver as barreiras do inicio da conversa vencidas, coração perscrutado, alma aberta e esperançosa quanto a vinda do Messias. O Deus encarnado se revela "Sou eu, o que fala contigo" Jo 4.26. Agora não são só as experiências dos sentidos, mas a elevação da própria alma, o progresso espiritual diante Daquele que havia de vir.

Em conexão com o divino, em esperança de salvação, a mulher samaritana medita, absorve, compreende, acata, internaliza a Palavra nas camadas da alma e as suas conclusões não vem através de sons, de palavras, mas através de gestos e ação:  Deixa o balde na beira do poço, onde tudo começou, corre para a cidade, onde seu cotidiano é testemunha de suas carências, debilidades, fraquezas, esperanças, medos, etc. e anuncia aos homens a mais importante noticia que interessa ao ser humano, capaz de mudar-lhe a condição de vida - de pecador para santos, de réu a justo, de marginalizado e excluídos a posição de Filho de Deus.

Que conclusão extraordinária, que revelação oculta aos sábios e entendidos e revelada a pequeninos, aos sedentos, aos excluídos, que levantar do véu! O encontro com o Messias , rende-lhe testemunho "Vinde", vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo? João 4.29. É necessário um verdadeiro encontro com o Filho de Deus que pode saciar a sede da nossa alma, que perdoa nossos pecados, que resgata em nós a imagem de Deus. Assim no verdadeiro encontro da alma com o divino, na verdadeira transformação, no acolher das palavras de Jesus, deixamos nossos baldes, nossa antiga vida, nossos antigos projetos, conceitos, preconceitos e corremos ao encontro daqueles, que como nós no passado vivem sós, na expectativa e jamais na verdadeira esperança.

Deus nos convoca a deixarmos nossos baldes.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

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Título do artigo: Deixemos nossos baldes
Autor: Raquel Custodio Santos

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