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O líder maestro


Publicado em 14.10.2015
Muito se tem dito que líder é aquele que puxa e não aquele que, a exemplo do chefe, empurra. Se observarmos bem esta frase, tanto o líder quanto o chefe, na concepção popular, estão fazendo de tudo, menos liderar, no sentido amplo da palavra. Para ilustrar o que estou dizendo, deixe-me dar um exemplo:

Imagine uma orquestra. Cada músico tem o seu instrumento, escolhido por um misto de dom, afinidade e/ou técnica. Quando digo misto, considero esta a combinação ideal para se formar um bom instrumentista. Veja que se alguém toca piano porque os pais obrigaram, provavelmente não irá tocar a alma dos ouvintes, a despeito de tecnicamente ser perfeito.

Voltando, após o maestro reunir cada integrante e constatar que todos estão presentes, começa o processo de afinação dos instrumentos. Note que cada músico é responsável não só pela afinação, como pela guarda e zelo do instrumento (aquela flanelinha não é de enfeite. Serve para limpar os instrumentos de sopro). O maestro, à disposição e atento a cada som, instrui, ajusta, corrige e auxilia aqueles com mais dificuldade. Raramente você vai ver um maestro tomando o instrumento das mãos do músico e mostrando para ele como é que se toca. A regra é clara e esta à disposição de todos, na figura da partitura, linguagem universal da música. Um músico treinado no Brasil poderá tocar em uma orquestra chinesa, com apenas alguns ajustes. Ninguém ousa desafiar o maestro, tampouco tocar no tom que bem entenderem. O envolvimento do maestro é tal que ao menor sinal de desafinação, ele sabe instantaneamente quais instrumentos desafinaram.

Parece mágica? Jamais! O maestro investiu horas, talvez uma vida inteira para chegar onde está. No livro Fora de série - Outliers, de Malcom Gladwell (Sextante), o autor defende a tese de que para se chegar à maestria em qualquer atividade são necessárias não menos que 10 mil horas de prática. Cita inclusive os Beatles que em dois anos se apresentaram em público mais do que qualquer outra banda se apresentará durante toda a sua trajetória.

Certo! Citei que o músico tem que ser bom e que o maestro precisa ser melhor ainda. Mas o que faz uma orquestra de sucesso? Na minha singela opinião, é a dependência do maestro, ou seja, a confiança que os músicos têm na sua pessoa. Ora, se cada músico está concentrado no seu instrumento, precisam depender de alguém que esteja vendo o todo e com uma visão clara do objetivo a ser alcançado, no caso, uma perfeita sinfonia. Mais uma coisa: a partitura de cada músico não é igual a outra. Porém todos precisam acompanhar o contexto para saber quando iniciar, pausar e parar. Qualquer que não seguir fielmente a partitura e a orientação do maestro corre o risco de jogar por água abaixo o conjunto da obra.

Mas fazer somente o que o maestro manda soa ditatorial? Por que nenhum músico se rebela e faz do seu jeito? Simplesmente porque está muito claro para ele da sua importância (do maestro) na equipe. Está claro também que a decisão do maestro é a certa e não se questiona. Não se trata de regime político, se democracia ou ditadura, mas de um comprometimento tal, que a figura do maestro em meio a música é vista como o elo de conexão com todos os envolvidos, das pessoas aos objetos inanimados, passando pela plateia.

E aí? Você quer ser líder  maestro?

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Título do artigo: O líder maestro
Autor: Ismael Pereira dos Santos

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