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As sete dimensões da liderança + lido jan 2010


Publicado em 12.01.2010

O contexto da pós-modernidade requer novos perfis de liderança. Características óbvias se substituem por outras na atualidade. Não se fala mais em líder nato, nem em líder através de traços de personalidade. Percebeu-se – já era hora – que a liderança antes de ser exclusivamente uma habilidade, precisa ser considerada como um fenômeno.

Fenômeno pode ser traduzido como um conjunto de forças diversas que proporcionam um fato. Isso retira do conceito de liderança qualquer simplismo. Liderar é dirigir alguns de alguma forma rumo a algum objetivo num determinado contexto-ambiental.

A influência é um axioma e poderia ser definida como a irradiação de formas próprias de pensamentos, crenças, valores, afetos, emoções, comportamentos e atitudes por entre os seres humanos.

Apesar disso, precisamos entender os mecanismos sobre os quais opera a influência a fim de produzi-la intencionalmente sobre determinado grupo e de determinada forma. A questão então seria: que tipo de influência e como desenvolvê-la para um grupo específico e como mantê-la de forma eficaz?

As teorias de Lideranças

Respostas a essa pergunta se sucederam em explicações sobre o fenômeno da liderança. Diversas teorias sobre os fatores que incidem na influência foram desenvolvidas. Tal diversidade se deve às mudanças éticas, históricas, morais e políticas e culturais que perpassam o humano ao longo dos tempos.

Não há certo e errado. O que diferencia uma teoria da outra é a forma como uma teoria explicita a influência, o que é privilegiado em sua explicação, e quais os elementos são os primeiros determinantes da influência em determinada cultura, o tipo dos valores do homem histórico daquele momento em uma determinada época.

Isso quer dizer que líderes não levam sempre suas influências típicas para grupos diversos, ela é um fenômeno daquele grupo onde ele se encontra. Em algumas culturas, como a militar e a indígena, os elementos de influência se apóiam sobre a hierarquia inquestionável. Já em ambientes menos autoritários, a influência precisa ser produzida.

A influência pode ser obtida por poder inquestionável (militar), por persuasão (cargos ocupados por eleição), por atração afetiva (líder carismático e namoro), por conhecimento de causa (um especialista), convenção (cargos de empresa), herdado (herdeiros de um cargo monárquico), por identificação (de valores entre líder e liderados), antiguidade (famílias da Índia) e por espiritualidade (líderes religiosos).

As Sete Dimensões da Liderança

O fenômeno da liderança acontece sobre algumas dimensões básicas que devem ser observadas por quem objetiva influenciar. Toda liderança possui essas dimensões sobre as quais operam. O que fazer em cada dimensão é o que gera o sucesso da fórmula pessoal específica daquela rede de relações.

São as sete dimensões que os líderes devem observar para desenvolver a influência e a liderança. O líder deve ter pleno conhecimento de causas e relações e mecanismos de cada uma dessas sete dimensões do fenômeno da liderança e desenvolver domínio de cada uma dessas dimensões a fim de aperfeiçoar-se.

A primeira dimensão são as habilidades psíquicas, comportamentais e sociais. Abrange as habilidades pessoais da pessoa do líder. Inteligência, perspicácia, atenção, percepção, comunicação, traquejo, versatilidade e adaptabilidade de comportamento e linguagem, congruência entre crenças e comportamentos, paixão e networking são algumas das habilidades.

Já a segunda dimensão é a da estrutura e a dinâmica da equipe de liderados. Diz respeito ao conhecimento da própria equipe de trabalho, seus anseios, objetivos, forma de pensar e trabalhar, educação, estrutura psicológica do grupo, fatores de influência que regem os processos dentro daquele grupo, competências profissionais e técnicas do grupo e etc.

A terceira é a da dimensão da cultura, dos valores e do ethos social compartilhados na instituição é uma dimensão importante. Cada ambiente institucional possui uma cultura, uma forma de interação humana e profissional ou ministerial. Os sujeitos são moldados e moldam a cultura por processos de socialização.

A quarta dimensão é a das especificidades técnicas do trabalho são fatores que possibilitam ao líder orientar-se em sua atividade técnica. É uma dimensão indispensável ao líder. Ser um expert na atividade que se situa não é o necessário, mas o líder deve saber situar-se bem dentro do ramo técnico em que atua para sustentar-se enquanto líder apoiado na influência técnica.

A dimensão do ambiente externo à instituição é a quinta dimensão e refere-se ao mercado, à localidade ou à comunidade sobre a qual se insere a instituição. Em tempos pós-modernos as instituições não são mais as suas quatro paredes. Termos como responsabilidade social e ambiental e voluntariado rondam as organizações da atualidade.

A sexta dimensão é a dos fatores contingenciais inclui elementos do ambiental e do grupal. Combatida com proatividade, que é a capacidade de intervir na realidade de maneira preventiva antes que um erro ou falta aconteça. A globalização e outros fatores que fogem ao controle do líder de manipulação, mas não de aposta e de previsão. Por isso incluído nos contingenciais.

A sétima e última é a dimensão espiritual e ética do líder. Nessa se incluem os valores pessoais, a posição ética, a sustentação de interesse genuíno pelo desenvolvimento do ser humano. É essa dimensão que sustenta a perspectiva de liderança servidora.

O Desafio Ético e Técnico da Liderança

Um primeiro desafio para o líder se situa na dimensão ética. Esta dimensão implica necessariamente o líder num comprometimento com o bem comum. Entretanto, esse bem comum deve ser - na medida do possível e da política organizacional – o resultado de um processo político democrático e participativo e resultado da confiança do grupo sobre as decisões do líder.

Um segundo desafio é o líder estudar as principais forças inseridas em cada uma dessas dimensões e realizar ajustes necessários que possibilitem o desempenho da influência específica para aquele grupo.

A liderança, portanto, não é algo que se transporta de grupo em grupo. Pode ser que algum grau de influência sim, mas o fenômeno completo deve ser desenvolvido em cada rede de relações humanas para conferir mais fidedignidade ao fato social de influenciar naquele grupo.

Portanto, ser líder é saber estar líder para irradiar a influência como finalidade desse fato social. Ser líder é saber que não se é imparcial, mas que se é parcial porque se pretende influenciar. É saber que a grande decisão ética é por que e para quê influenciar. É ter visão das necessidades e implicações dessa influência, escolhendo como posicionar-se aberta e conscientemente em prol do bem-comum. Isto é ética. O dever da liderança.

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Título do artigo: As sete dimensões da liderança
Autor: Marcelo Quirino

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