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Tranquilidade e equilíbrio


Publicado em 30.09.2015

"Descobri que todo trabalho e toda destreza surgem da competição que existe entre as pessoas. Mas isso também é absurdo, é correr atrás do vento. O tolo cruza os braços e come a própria carne, destrói a própria vida. Melhor é ter um punhado com tranquilidade do que dois punhados à custa de muito esforço e de correr atrás do vento". (Eclesiastes 4.4-6 - NVI e RA)

A relação com trabalho e dinheiro sempre foi desafiadora. Seu desequilíbrio gerou muita confusão ao longo da história. O sábio observa que as pessoas colocam-se em extremos. De um lado, obcecados por dinheiro. De outro, negligentes contumazes. Conclui sua reflexão apontando para um caminho alternativo em busca de equilíbrio e tranquilidade.

Dois punhados é a medida do exagero, pois implica em ter as mãos ocupadas.
Diz respeito aos que ocupam todo o tempo, agenda, energia e atenção com os assuntos ligados à produção de riqueza. Quer tudo em suas mãos, toma tudo para si. A motivação foi apontada: todo trabalho e toda destreza surgem da competição que existe entre as pessoas (v 4). Segundo o sábio, a rivalidade e competição explicam o esforço implacável de muitos. Não são motivos nobres que os move, mas o desejo de superar socialmente outros, colocar-se no topo da pirâmide, ser invejado pelo que se conquista, ovacionado pelo que se ostenta. Todo esforço (trabalho) feito com muita habilidade (destreza) esconde a ambição desenfreada pelo dinheiro, poder e status. Impressionante é o fato de o texto ter sido escrito há três mil anos atrás. Isso evidencia que essa busca insana por acúmulo não é fruto do sistema capitalista, mas de um coração perdidamente insaciável. Por essa razão, o mundo sempre teve suas tensões internacionais, disputas trabalhistas, conflitos de classes. Como ensinou Paulo, ninguém deve depositar sua esperança na instabilidade da riqueza (1 Tm 6.17-19).

Nenhum punhado é a medida vazia para quem cruza os braços.
No outro extremo dos loucos por trabalho estão os loucos pela indolência. A figura está implícita em sua declaração: o tolo cruza os braços e come a própria carne (v 5). A indiferença, preguiça e o desânimo são marcas impregnadas em seu caráter (cruza o braço). Cruzar os braços traz a ideia de algo deliberado para não se fazer nada, decisão pela miséria, apologia da vadiagem, da mandriice, da pânria. É o estilo de vida do folgado que, via de regra, torna-se um parasita. Tudo o que começa, quando começa, deixa pela metade. Quer seja por desilusão com o sistema vil deste mundo, quer seja por qualquer outro motivo, abandona os estudos, o trabalho, caminha na direção da conduta suicida do autocanibalismo (come a própria carne) e torna-se pesado a quem está ao redor, ao governo, à sociedade. Quem não trabalha, como disse Paulo, também não coma (1 Ts 3.10-12).

Um punhado é a medida do equilíbrio, uma porção sustentável, que conseguimos alcançar e suportar.
Não toma toda a nossa vida, nossa agenda, nossos pensamentos. Esforça-se, mas não ao limite de consumir toda a energia e saúde, como está escrito: melhor é ter um punhado com tranquilidade (v 6). Na teoria é fácil. Na prática, muito desafiador. Essa moderação só é alcançada quando acompanhada de contentamento e generosidade. Contentamento diz respeito à satisfação plena com o que se tem (Fp 4.11b), não importando o quanto. Como disse Benjamin Franklin: "o contentamento torna os pobres em ricos; o descontentamento torna os ricos em pobres." Generosidade diz respeito ao ato de repartir com os menos favorecidos, compartilhar recursos com uma causa, dar e ofertar acima de qualquer interesse e utilidade. O generoso aprende a combater o vírus da avareza no ato de ofertar. A história está cheia de exemplos de pessoas que alcançaram a consciência de que o propósito do dinheiro é também compartilhar. Como disse Jesus: mais bem-aventurado é dar que receber (At 20.35).

Nada de correr atrás do vento, pois não vale perder a vida para acumular dinheiro, e depois perder dinheiro para tentar recuperar a vida. Nada de cruzar os braços dando lugar à vadiagem e moléstia, para não acabar na miséria e penúria. Vamos viver com equilíbrio e moderação, contentamento e generosidade. Assim alcançaremos tranquilidade e paz.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

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Título do artigo: Tranquilidade e equilíbrio
Autor: Rodolfo Garcia Montosa

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