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Ser um líder-servo


Publicado em 03.09.2007

Este é o último artigo de uma série de três publicada sobre Liderança Servidora. Clique sobre o nome do autor para ler os anteriores.

Ser um líder-servo é bem mais difícil do que ser um líder tradicional ou controlador. Quando um líder pode servir alguém ou fazer algo que desenvolva nos liderados crescimento e realização, isto tem um efeito duradouro e na maioria dos casos um resultado permanente.

O ser pode ser associado ao SERvir. A palavra servir em português permite fazer este destaque do “ser”, como ingrediente principal. O ser servo implica em confiar responsabilidade para os liderados e afirmar esta responsabilidade com poder para tomar as decisões. A delegação de poderes relaciona-se com o ser e o ser com o caráter. Não existe delegação de poder quando o caráter de um líder fecha as portas para esta possibilidade. A forma de ser da organização normalmente é um reflexo da forma de ser dos seus líderes.

Conhecer como um líder-servo

A visão de liderar servindo não é algo abstrato e nem um salto no escuro. Conhecer como um líder-servo é passar a andar numa nova dimensão de liderança. O serviço apenas acontece quando brota de uma atitude interior invisível. Conhecer como líder-servo implica em enxergar primeiro o interior e depois criar fatos concretos no exterior. A maneira como um líder gasta a sua vida revela sua visão e suas prioridades.

De outro lado, a visão de um líder-servo não é passiva. Um líder-servo não fica esperando as coisas acontecerem. O seu ser é revestido de uma paixão para servir, a sua forma de ver é alimentada por uma visão integral das pessoas e das organizações, e tudo isto gera uma forma de agir estratégica, que concretiza os seus ideais.

Agir como um líder-servo

Agir como um líder-servo é fruto do ser e do conhecer como tal. A ação de servir implica numa mudança de atitude por parte do líder. O ponto principal a ser focalizado na forma de agir do líder é a sua atitude no processo de mudanças. A sedimentação da vontade de uma pessoa e a cristalização de uma posição de liderança são um dos fatores que mais resistem às mudanças.

Neste ponto surge então a nova forma de agir para líderes que desejam ser servos. Ser um líder-servo significa pensar adiante no tempo. Agir como um líder-servo na atualidade não significa ser passivo e subserviente, mas pró-ativo e interdependente. A ação é tomar a dianteira e ser diferente dos demais líderes desta geração.

A forma de agir de um líder-servo determinará os métodos que ele utilizará para atingir resultados. Um líder-servo não trabalha sem a expectativa de conseguir resultados. Servir é plantar sementes que produzirão frutos.

Quando se pensa no desafio do líder de transformar sua mentalidade para poder desempenhar uma liderança efetiva e marcante, é necessário analisar os aspectos em que o líder precisa mudar. Jesus na verdade ajudou os líderes de todos os tempos a entender a questão de mudança de mentalidade. A partir do momento em que os líderes mudarem sua mentalidade, terão que ser menos dependentes da sua auto-suficiência e mais dependentes do sucesso dos novos líderes que serão treinados.

O princípio que Jesus está mostrando é que viver de regras ou leis não vai encobrir o engano de não ser um líder com o coração disposto a servir. O coração vazio da intenção de servir provoca uma boca cheia de regras, uma mente voltada para interesses pessoais e uma atitude aparente de líder. Segundo Santo Ignácio de Loyola, o fundador da ordem dos jesuítas: “saber e não fazer é não saber”. Talvez a maioria dos líderes da atualidade saibam os princípios que deveriam reger sua liderança. No entanto, quando continuam fazendo tudo como o que sempre fizeram, é como que se colocassem tudo dentro de uma gaveta da ignorância.

O que um líder é, determina muitas coisas. Determina que tipo de relacionamento ele terá com seus liderados, se estará mais focado em resultados passageiros ou duradouros, e se existe uma real intenção de servir ou apenas o atendimento dos seus interesses. O fato de Jesus ter convivido durante mais de três anos com seus principais liderados, criou confiança para que eles dessem continuidade à missão, mesmo depois de sua partida. Aquilo que os líderes são é conseqüência da transformação contínua de mentalidade pela qual passam e pelo amadurecimento que adquirem. A transformação e o amadurecimento são a correnteza que conduz os líderes na direção do desejo de servir.  J. Oswald Sanders afirmou que “A verdadeira grandeza e a verdadeira liderança, não se alcançam submetendo-se alguns homens ao serviço de um, mas generosamente dando-se a si mesmo ao serviço deles” .

Conclusão

Herb Miller, disse: "Eu estou convencido que grandes líderes raramente são normais ou pessoas bem ajustadas. Francamente, quem de nós, afinal não está um pouco cansado da normalidade". A normalidade na época de Jesus era aceitar o domínio do Império Romano e se conformar com as regras do jogo. Jesus não atacou o Império Romano, nem criou uma cruzada para tirar-lhes o poder. Ele apenas viveu um estilo de vida diferente, não se conformando com a normalidade. Líderes que se conformam com seu status quo, seus interesses, seus rendimentos, falta de valores ou mesmo a falta de ética numa organização, estão assinando um atestado de anti-liderança.

Por este motivo, liderar é não pensar apenas em conduzir as pessoas para se alcançar resultados numéricos. Jesus não pensou apenas em resultados numéricos, mas ele foi um exemplo, na vida e na morte.

Jesus cumpriu sua missão e morreu por ela, mas antes de morrer ele capacitou doze homens para continuarem levando adiante a missão e espalhá-la pelo mundo. Por meio dos ensinos de Jesus, até hoje a humanidade conhece através dos Evangelhos a vida de doze desconhecidos que se transformaram na base de um empreendimento global.

Em momento algum ele usou a palavra liderança, mas o tempo todo ele falou em servir e mais do que isto, ele deu o exemplo. Com isto ele demonstrou que na medida em que um líder se submete à missão ele consegue focar num propósito maior, empolgando-se com as estratégias para execução da missão. Então, uma pergunta que todo líder deve estar fazendo constantemente é: “De que forma posso servir como líder, para deixar uma marca que cause diferença no mundo?”.

Talvez este seja o grande desafio dos líderes da atualidade. Não basta querer ser líder, nem mesmo querer servir, apenas para demonstrar algo bonito. A pergunta que todo líder deveria fazer a cada manhã é: De que forma eu estou sendo útil para a minha geração? E, por fim, caberia uma outra pergunta a todo líder: O que você está produzindo hoje que não irá se decompor? A resposta a esta pergunta apontará a essência do ser líder-servo, conhecer como líder-servo, agir como líder-servo e viver como Jesus, deixando marcas em sua geração e perpetuando os resultados no decorrer da história.

Esta foi a estratégia mais bem sucedida da história da liderança.

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Leia Também:
A estratégia de ser servo
O líder-servo
O coração do líder 

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Título do artigo: Ser um líder-servo
Autor: Josué Campanhã

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