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Comunicação interna: um meio, não o fim


Publicado em 05.09.2017
Se como eu, você começou a ter sua vida social ampliada e expandida por uma janela do MSN Messenger, você sabe o quão tenso era receber aquela tremida de tela, a famosa chamada de atenção. Era engraçado de início, mas ao mesmo tempo revelava que você estava prestando atenção em outra coisa e não naquela pessoa em particular. Isso sim era chato, e muitas pessoas ficavam bravas por você não ter avisado que estava fazendo outra coisa ou que estava "afk". Quem lembra dessa?! (AFK = "Away from Keyboard", longe ou fora do teclado).

Da mesma forma, algumas de nossas igrejas, e por que não dizer alguns de nós, temos feito o mesmo com nossa mensagem. Abrimos a conversa com nosso bairro, iniciamos o trabalho de construção do local de cultos, convidamos muitos para a inauguração, fizemos eventos, pregações, louvores, e depois de certo tempo, nos voltamos para nós mesmos, esquecemos a janela aberta e não avisamos que saímos da frente do PC pra resolver aquele pequeno probleminha chamado de comunicação interna.

Quase como sua mãe te chamando, em tempos de escola, com aquele berro estridente no meio da conversa, tem sido a nossa atitude com o ministério de comunicação. Você de pronto corre a atendê-la e deixa aquela conversa marota com a amiga da escola aberta e, quando volta, tarde demais, ela já tinha ido embora. Status Offline. Bonequinho vermelho. Última mensagem visualizada em...

Essa metáfora me veio a mente ao começar a ler, nesse mês, o livro intitulado de "Discipulado" de Dietrich Bonhoeffer. É incrível como um cara que viveu na Alemanha nazista pode falar dos perigos que a igreja cristã brasileira tem vivido na atualidade: virou-se as costas para o verdadeiro discipulado de Cristo e abriu-se os braços para uma graça barata, interna, que existe em si mesma, sem Cristo, sem discipulado, sem cruz, sem arrependimento, que nos torna cultural e burocraticamente cristãos e não verdadeiramente imitadores de Cristo.

Calma, não to acusando ninguém, falo pra mim mesmo estas coisas! Vivemos um perigo constante de nos tornarmos ativistas. Estamos indo à igreja e não sendo igreja, muitas vezes... E nossa comunicação parece evidenciar isso. Antes pensávamos no que os outros iriam dizer, nos voltávamos para como um "não-cristão" tomaria ou entenderia determinado título, nome ou divulgação e hoje estamos mais preocupados em não incomodar o fulano que a 40 anos frequenta a igreja, que a tanto tempo se acostumou a pregar, participar, louvar ou trabalhar naquele lugar chamado igreja. Eu não sei ainda, como, porque e quando isso aconteceu, mas a "clubeficação" da igreja é uma realidade que temos que combater urgentemente.

A comunicação se institucionalizou 

Em algum momento essa comunicação virou ministério e departamento, e parece que se fechou pro interno, se "institucionalizou" de uma certa má forma. Deixou o visitante e o "não-cristão" com a janela aberta, sem a possibilidade de que ele chamasse nossa atenção, afinal de contas, não existe botão de chamar atenção na vida real, né?!

Quero que você perceba que o ministério de comunicação de uma igreja deve sim comunicar os membros das atividades, ideias e vontades da comunidade em que está inserida, mas este não é o fim deste ministério! Nem nunca foi!

Tudo e todo esforço de qualquer área de uma organização religiosa é propagar sua mensagem. Isto é, a missão da igreja e de todos os seus departamentos, bens e membros é pregar o evangelho a toda criatura e fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que Cristo mandou (conforme os textos de Mateus 28 e Marcos 16), e as atividades internas e comunicações pessoais devem ser apenas um dos meios para se alcançar isso.

É por essa razão que eu acho que um site de uma igreja, que não tem seu endereço e horários de cultos visíveis e super diretos na primeira olhada à Home de sua página, está se fechando para si mesma. Uma Fanpage de igreja ou ministério que não responde comentários ou que interage com um "pequeno" atraso de dois meses com seus visitantes erra e erra feio em ter comunhão e alcançar os "não-cristãos". Assim como um grupo de jovens que tem apenas um grupo fechado de WhatsApp, exclusivo para membros frequentadores, e que não divulga suas atividades para possíveis visitantes, seja com uma sessão no site principal da igreja ou com uma fanpage própria no Facebook, está errando em sua maior vocação: divulgar o evangelho de Cristo aos seus iguais.

Não estou dizendo que a comunicação interna é um problema em si mesmo, mas o exagero e total esforço voltado a ela é sim um problema pós-moderno. Viver num feudo religioso traz maiores conseqüências do que imaginamos, essa atitude transforma engajamento em afastamento e aversão. Afinal, uma árvore nunca produz frutos para si mesma, ela sempre alimentará outros seres e não a si própria. Por que, então, o cristão deve ser diferente?! Não devemos nos fechar para nossas igrejas e ficarmos de fora do Reino.

Tantos frutos caem de nossas árvores e apodrecem dentro de nossos salões, cultos, encontros de líderes, acampamentos e congressos que poderiam alimentar multidões não é mesmo?! Certo garoto tinha apenas cinco peixes, dois pães e uma oportunidade gigantesca: estar ao lado de Cristo num exato momento da história (João 6:9). Ele não guardou os peixes apenas para seus líderes interessados em teologia, ele não entregou os pães para as únicas que vieram no chá de senhoras, ele os mostrou a toda uma multidão. Imagino que ele tenha dito em alto e bom som a André, um dos discípulos: "tenho dois pães e dois peixes aqui!" (quase como um "status" no nickname, despretensioso mas convidativo) e ele os entregou às mãos de Jesus Cristo. Tudo o que ele tinha naquele momento foi entregue na obra do Reino.

O resto da história você já sabe! Então, que tal fazer o mesmo com tudo aquilo que você tem disponível em suas mãos?! Que tal sermos intencionais em tudo o que fizermos dentro de nossas igrejas neste mundo?! Que tal atingirmos os doentes e marginalizados a quem Jesus Cristo deu maior valor e atenção?! Tenho certeza que com Cristo no barco não há tempestade, crise ou barreira impossíveis de se vencer!

Abra os horizontes da sua comunicação 

O retorno de Cristo está próximo e a igreja brasileira parece não ter mais a mesma urgência de tempos atrás. Não se conforme com isso! Abra os horizontes da sua comunicação. Divulgue e expanda o verdadeiro evangelho de Cristo através das mídias digitais que temos em mãos. Por menor que pareça a sua reunião, evento ou encontro, temos sempre alguém olhando ou procurando. Quem sabe um jovem estava querendo conhecer a sua reunião hoje. Será que ele encontrará a sua igreja aberta pra recebê-lo, ou saberá que todos estão na casa do Lucas fazendo um pequeno grupo?! Quem sabe um pai de família desesperado precisa de alguém pra conversar. Será que ele sabe que toda segunda à noite existem homens reunidos no salão da sua igreja dividindo suas vidas?! Quem sabe uma mãe preocupada com seus filhos precise de alguém pra ajudá-la a orar por eles. Será que ela pode encontrar no facebook que as mulheres da sua igreja se juntam justamente pra orar umas pelas outras naquela quinta-feira à tarde?!

E então, voltando à ilustração do MSN Messenger: o mundo acabou de entrar. Ele está ficando offline e online seguidas vezes. Acho que pra avisar você, ou outro alguém, de que ele está ali pronto para uma conversa. Qual o seu nickname e subnick? Que música você está escutando? (Eu tava escutando "Difference Maker" do Needtobreathe, quando escrevi esse post, caso alguém queira saber! Hehe). E, ae? Mandou um oi? O que você quer que o mundo saiba sobre você? Sobre sua igreja? Sobre sua vida? Vamos reabrir essa janela e investir nessa conversa?

Que Deus nos abençoe a comunicar sua mensagem! Até uma próxima!

Artigo publicado originalmente no site conversaodigital.com e cedido gentilmente para o Instituto Jetro.

Para reprodução, entrar em contato pelo site 

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URL: http://www.institutojetro.com/artigos/comunicacao-e-marketing/comunicacao-interna-um-meio-nao-o-fim.html
Site: www.institutojetro.com
Título do artigo: Comunicação interna: um meio, não o fim
Autor: Paulo Victor Reis

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