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Pastor pastoreia e gestor administra


Publicado em 01.12.2009

“Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres; depois os que realizam milagres, os que têm dons de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que têm dons de administração, e os que falam em diversas línguas” 1º Co 12.28 (Nova Versão Internacional).

A Palavra de Deus nos ensina a buscar com zelo os melhores dons e a utilizá-los para edificação da Igreja. Muitas vezes não é isto que estamos praticando. Com o crescimento, expansão e aumento das igrejas, cada vez mais pastores têm assumido funções administrativas em igrejas, funções estas que não condizem com a vocação, formação e com os dons que Deus lhes deu. O desastre é inevitável e o desgaste é, muitas vezes, irreparável.

Cada vez mais escândalos envolvendo igrejas evangélicas estão nas manchetes de todos os meios de comunicação da mídia nacional e internacional. Enriquecimento ilícito e contrabando de dólares são exemplos de reportagens que atingiram igrejas mencionadas como evangélicas. Não quero parecer ingênuo. Aliado ao fato de que o homem tem natureza pecaminosa e que muitos líderes de igrejas têm se desviado de princípios bíblicos e hoje estão manipulando os fiéis e fazendo mau uso das contribuições “voluntárias”, existe também a questão do despreparo de pastores, desde o seminário, que exercem a administração da igreja e que não foram habilitados e formados para isto, não conseguindo assim, introduzir e implementar na igreja um modelo de prestação de contas que garanta ou pelo menos promova a integridade, transparência, ética, zelo no funcionamento da igreja e que evite ou reduza riscos de fraudes.

Conversando com alguns pastores, fica evidente o desconhecimento de administração e gestão. Conceitos como auditoria externa, ínterim de auditoria das demonstrações contábeis são desconhecidos, e estes são mecanismos essenciais para a garantia da transparência na administração das igrejas.

Outro aspecto relevante a ser considerado é que o novo código civil brasileiro exigiu das igrejas a constituição de uma organização com CNPJ próprio, criação e constituição de órgãos internos de controle e com funções definidas: conselhos administrativo e fiscal (de gestão) e muitas outras obrigações administrativas que não são pastorais. A coordenação e o controle destas atividades não podem e não devem ficar sob a responsabilidade de um pastor que não foi preparado e que não estudou para isto. O risco de exposição e falha no funcionamento no que diz respeito aos aspectos de ética, transparência e de governança é enorme quando o pastor tem sobre si esta responsabilidade e, em bom português, não sabe como desempenhá-la.

O objetivo aqui não é culpar o pastor por não saber ou conseguir administrar bem, pois seu foco e formação são pastorais e não administrativas. A igreja deve ter a sensibilidade de dar o suporte que o pastor precisa para que ele não tenha que exercer funções administrativas que não se encaixem nos seus dons e na sua vocação. Por muitas vezes esta situação gera um peso que leva o pastor a desistir do próprio ministério.

Também não podemos esquecer que a grande frustração ministerial de muitos pastores e ministros evangélicos é que na sua jornada ministerial eles não têm dado a devida atenção à sua vocação original de pastor, que inclui a oração, o ensino da Palavra, visitação, discipulado, aconselhamentos, pregação, entre outros. Pastores estão se perdendo em muitas questões administrativas e organizacionais da igreja sem dar ênfase aos seus chamados. Digno de dupla honra é aquele que se fadiga no ensino da Palavra (1 Tm 5.17). Pastores precisam atender ao seu chamado original de pastor!

Por outro lado, penso que os pastores contemporâneos necessitam ter uma visão geral de administração eclesiástica da igreja. Isto não significa que se tornarão especialistas ou que serão responsáveis pela administração da igreja, mas que devem ter noções básicas para apoiar e entender o funcionamento da administração da igreja. Isto é importante para que o gestor ou administrador tenha apoio da liderança pastoral que é quem determina a direção da igreja. Costumo dizer que esta administração é um bem necessário que deve servir de suporte às atividades ministeriais da igreja. Isto só ocorrerá de maneira saudável se os ministérios e a administração da igreja estiverem alinhados.

Finalmente, para que um corpo (igreja) funcione bem ajustado é necessário que cada membro desempenhe a função para que foi criada. “Assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função...” Rm 12:4. Em resumo: "Pastor pastoreia e gestor administra”.

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Título do artigo: Pastor pastoreia e gestor administra
Autor: Marco Cruz

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