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O governo no Antigo Testamento


Publicado em 22.11.2006

Já no início das eras, Deus estabeleceu Adão e Eva no comando do Jardim do Éden, delegando a eles poder de sujeitar e dominar sobre toda a criação. Governar sobre a Terra, portanto, está no gene da humanidade. Faz parte da natureza criada por Deus. O exercício deste poder delegado, nestes termos, torna-se fator fundamental para a realização pessoal e coletiva dos indivíduos. O desafio torna-se maior à medida que “todos devem dominar como grupo humano sem que ninguém seja impedido de dominar enquanto indivíduo humano.”1 Mas ainda não havia este tipo de preocupação na mente do primeiro casal. Ao contrário, exerciam com naturalidade seu domínio. Conta-nos resumidamente o texto das origens que eles davam nome aos animais. É interessante a correlação nesta ação com as situações quando o próprio Deus manifesta-se em poder e autoridade alterando nomes de pessoas que desejou. De fato, Adão e Eva tinham poder sobre a Terra.

Na seqüência dos fatos, mesmo no início do exercício deste domínio, acontece a trágica queda da humanidade através da desobediência da Autoridade Maior, através da transgressão da ordem estabelecida. O exercício do poder corrompe-se pelo pecado, pela tentação de a criatura cobiçar a posição de poder do Criador. “Quando Adão e Eva caíram no Jardim do Éden, caíram em sua totalidade. A personalidade foi afetada como um todo pela Queda e o pecado atingiu a todas as faculdades – a vontade, o entendimento, as afeições, etc”2. A natureza pecaminosa passou a ser perpetuada por nascimento e pela própria prática. Da mesma maneira como todas as áreas da vida foram afetadas, a capacidade de exercer governo, domínio e autoridade foi corrompida. A história que se segue da humanidade comprova essa corrupção.

Já nos dias dos patriarcas, a partir de Abraão, Deus apresenta uma nova proposta de governo. A partir de uma família, o projeto envolve apresentar um novo modelo de relacionamento com Deus e com o próximo. O alicerce torna-se a fé, a dependência da direção de Deus para as coisas mais comuns na vida e a experimentação da provisão divina. Mas os relacionamentos entre os filhos evidenciam que o coração corrompido permanece ativo mesmo nas gerações dos abençoados. Seja a história de Isaque e Ismael, Jacó e Esaú, ou dos doze filhos de Israel. “Nestes governos familiares nômades, o pai exercia a função de chefe da família e também de sacerdote. Sua jurisdição estendia-se aos membros da família, aos assalariados e servos. O pai tinha um poder muito grande, até mesmo o direito de vida e morte”3  (ex. Abraão e Isaque), além da responsabilidade de tomar as grandes decisões. O pressuposto básico era o grande amor que o pai tinha por seus filhos. O amor tornava-se o alicerce de um governo justo e abençoador, a serviço de toda a clã, de toda a comunidade. Decisões erradas afetariam a todos. As guerras eminentes e permanentes evidenciavam a importância da unidade da família. Quando essa unidade era afetada, havia mortes e derrotas na certa.

Depois do Egito, os descendentes de Israel seguiram a direção do grande líder Moisés. O método era simples: Moisés ouvia a Deus e o povo dava ouvidos a Moisés. A grande influência do sogro Jetro estabeleceu uma estratégia de exercício desse governo através de um grande contingente de líderes e sub-líderes, todos conectados entre si, seguindo a Lei que havia sido revelada por Deus. As normas estavam estabelecidas para o bem estar social e os juízes investidos para ensinar e assegurar que todos seguissem a orientação divina. As situações complexas eram tratadas progressivamente pelos mais experientes. A autoridade era distribuída, mitigando os riscos da centralização, aumentando a difusão das boas práticas e dos bons hábitos.  “Primariamente era o governo de Deus sobre uma nação que estava destinada a ser santa, um reino de sacerdotes”4 , modelo para o mundo de sua época.

Passaram-se cerca de 400 anos, tempo de muitos altos e baixos na espiritualidade vivida pelo povo, até que desejaram um outro sistema de governo. Pediram um rei, assim como as nações vizinhas tinham, provocando a ira do próprio Deus. O profeta Samuel foi personagem marcante, tanto pela exortação que fez ao povo por estarem rejeitando ao próprio Senhor (1 Sm 8.7), quanto pela escolha e unção de Saul e, na seqüência, Davi. Os reis se sucederam, o reino se dividiu, o pecado assolava os corações de tempos em tempos e o domínio babilônico desmontou a organização de poder, a nação se dissolveu, mas a unidade da família e das amizades foi a forma que a nação perpetuou-se em sua fé, sua cultura e sua língua. O governo visível desapareceu, mas a benção divina continuou com o povo. Deus governou o povo, apesar do povo.

Notas:

1. SANTANER, Marie-Abdon. Homem e Poder, Igreja e Ministério, p. 25.
2. SEATON, W.J.. Os cinco pontos do calvanismo, p. 7.
3. DOUGLAS, J.D. (org.). O Novo Dicionário da Bíblia, p. 677.
4. DOUGLAS, J.D. (org.). O Novo Dicionário da Bíblia, p. 678.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

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Título do artigo: O governo no Antigo Testamento
Autor: Rodolfo Garcia Montosa

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