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Liderança Pastoral

Procuram-se pastores: líderes ou administradores?

Não é de hoje a discussão sobre o tipo ideal de liderança que uma igreja precisa. Quem poderia negar as qualidades de Moisés quanto à visão daquilo que Deus queria de seu ministério, ou quanto à sua intimidade com Ele, ou de sua própria espiritualidade?

Suas qualidades e capacitação, fundamentadas em seu chamamento e na dependência da direção e provisão de Deus, levaram-no ao êxito no cumprimento de sua missão. Entretanto, temos na figura de seu sogro Jetro alguém que respeita a liderança de Moisés sem deixar de apontar que seus métodos de trabalho estavam absolutamente inadequados à realidade que vivia. Apesar de uma liderança eficaz, marcada pela grande capacidade de comunicar uma visão, inclusive com sinais e prodígios sobrenaturais que dava a todos um sentido de direção e uma missão, ele apresentava uma administração medíocre, que o conduzia ao estresse pessoal e desgaste no relacionamento com o povo.

A relação entre liderança e administração tem sido altamente desbalanceada nas igrejas de hoje. Igrejas “sobreadministradas” e “sublideradas” têm levado a uma infeliz distinção entre administração e liderança, com a implicação perniciosa de que boa administração é de alguma maneira inferior e menos importante do que a liderança. A distinção pode ser muito prejudicial se incorporada ao mito de que o Pastor Sênior precisa ser apenas um bom líder, em vez de ser um administrador eficiente.

É bom que se diga que líderes influentes que não sabiam como administrar causaram muitos danos em igrejas ao criar expectativas sem a capacidade de efetivá-las. A competência de liderança traz a visão enquanto a de administração traz a efetivação. Nenhum pastor ou líder número dois poderá compensar totalmente os efeitos destrutivos de um líder carismático sem aptidão ou atitudes corretas para as dificuldades cotidianas da administração geral.

Por outro lado, o bom administrador que não seja líder pode ser tediosamente burocrático. Parece que essa disfunção contagia mais a igreja, tornando-a amarrada e presa em si mesma, fazendo com que ande em círculos. A longo prazo, esses pastores certamente reduzirão as liberdades e o ânimo das pessoas se a adesão às regras se torna um fim e não um meio. As organizações administradas pelo Estado em geral refletem essa experiência infeliz. Muitas igrejas também.

Procura-se pastores eficientes que não sejam necessariamente visionários filósofos, mas aqueles que possuam a capacidade de estruturar uma visão e convertê-la em realidade. Jetro não assumiu o lugar de Moisés, apenas o orientou. Quem adaptou seu método de trabalho foi o próprio líder.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com