Artigos

Compartilhe

Liderança Pastoral

O exercício do ministério

Além do rico conteúdo doutrinário e teológico da primeira epístola de Pedro,  nela o apóstolo dirige palavras de encorajamento e orientação aos leitores que passavam momentos de sérias provações na vida cristã. Merece destaque as orientações que ele deu quanto ao correto exercício do ministério que recebemos do Senhor para cumprir (I Pedro 4. 10-11).

Aprendemos, em primeiro lugar, que, como ministros de Deus, devemos ter a ATITUDE de servos, atendendo à recomendação apostólica: “SERVI uns aos outros”.  No encontro de Paulo com os presbíteros de Éfeso, ele disse: “Fiz o meu trabalho como SERVO do Senhor com toda humildade e com lágrimas”  (Atos 20.19).

Humildade e sofrimento são marcas do Ministro que faz o seu trabalho seguindo as pisadas do nosso Senhor e Mestre como fez o apóstolo Paulo. Quando a cruz já projetava a sua sombra sobre a vida de Jesus, os discípulos discutiam entre si qual deles era o maior. Jesus corrigiu essa atitude imprópria com duas lições dramáticas: na primeira, ele colocou uma criança no meio dos discípulos, e disse enfático: “Se vocês não mudarem de vida e não se tornarem como crianças, nunca entrarão no Reino  do céu” (Mateus 18.2); na segunda, lavou os pés dos discípulos, dando-lhes exemplo de qual é a atitude correta nos relacionamentos (João 13. 1-17).

Como servos sofremos, a exemplo de Paulo, com a dureza dos corações em relação ao evangelho, com a imaturidade dos crentes que gera todos os tipos de conflitos e dificuldades na Igreja e com a atuação dos falsos mestres que subvertem a causa do Reino de Deus.

Aprendemos,  em segundo lugar, que devemos exercer o ministério na comunhão da Igreja de acordo com a orientação do nosso texto: “Servi UNS AOS OUTROS”.  Superamos a postura clericalista do servir UM aos outros quando reconhecemos que o Ministério da Palavra não é O Ministério, mas um dos ministérios, todos igualmente importantes, no Corpo de Cristo. Sujeitando-nos uns aos outros no temor de Cristo, edificamo-nos mutuamente através do livre exercício dos dons espirituais.

O Ministério da Palavra é importante quando exercido de acordo com a orientação de Ef. 4. 11-12. O Ministro da Palavra, exercendo dons apostólicos, proféticos, evangelísticos, pastorais e didáticos alcança o objetivo de equipar, de treinar, de aperfeiçoar todos os crentes para que se edifiquem mutuamente e para que cumpram o Ministério da Igreja no mundo. O Ministro não monopoliza nem manipula, mas FACILITA o exercício do ministério de cada crente. O ministério da Palavra é libertador. Lembremo-nos da afirmação de Paulo Freire de que o oprimido se liberta quando faz uso da palavra.

Aprendemos, em terceiro lugar, que exercemos o Ministério como mordomos da “multiforme graça de Deus”. Que privilégio e responsabilidade o de sermos administradores do rico tesouro da Graça! Lembremo-nos de que somos o que somos pela graça. Servindo na força que Deus supre, descansamos em Deus mesmo no meio de conflitos e dificuldades, como Moisés que, apesar dos pesadíssimos encargos do seu ministério, chegou aos 120 anos de vida cheio de vigor. Ou como Caleb que, aos 80 anos, após a peregrinação pelo deserto e as guerras da conquista, sentia-se na mesma disposição de quando tinha 40 anos! Pela graça podemos conhecer não só a Palavra de Deus, mas o Deus da Palavra; não só o Salmo 23, por exemplo, mas o Pastor do Salmo 23, habilitando-nos para transmitir com fidelidade a Palavra de Deus e não as nossas opiniões e conceitos que, via de regra, são preconceitos.

Finalmente, exercendo o Ministério de acordo com os princípios bíblicos, glorificamos em todas as coisas a Deus o Pai por meio de Jesus Cristo. Precisamos da graça de Deus para que jamais sejam envergonhados e confundidos por nossa causa os que esperam em Deus, mas para que, ao contrário, as pessoas vejam as coisas boas que fazemos e glorifiquem e louvem o nosso Pai que está no céu.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com