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Liderança Pastoral

Autonomia e liberdade

Francis Schaeffer, filósofo e pastor presbiteriano, declarou certa vez que um dos maiores males sociais de nosso tempo é a autonomia. O que a princípio seria uma boa saída para a escravidão social e intelectual se tornou um apelo ao individualismo, egocentrismo e personalismo. Cada um faz o que quer, seja na família, na Igreja e  na sociedade em geral. Filhos saem sem dar satisfação para onde vão,  membros de Igreja não querem prestar constas de sua vida a ninguém e exemplos da famosa filosofia "cada um por si" são cada vez mais comuns.

A autonomia é definida como "faculdade de governar a si mesmo"(AURÉLIO). Sua origem vem de duas palavras gregas: Autos (por si só) + nomós (lei ou território). A Língua inglesa traduziu o termo como home rule que apela para a idéia das leis que são criadas pelo próprio indivíduo e o norteiam pela vida (BEACON). A autonomia poderia ser descrita como uma vida sem prestação de contas onde a pessoa faz o que quer de acordo com suas próprias leis.     

Podemos dizer que Jesus nos ensinou um modelo que se opõe à autonomia. Ele chamou discípulos para segui-lo (Mateus 4:19), os enviou para uma grande missão (Mateus 10:5) mas nunca os deixou sozinhos. Nunca permitiu que eles criassem suas próprias "leis" e mostrando a necessidade de sempre prestarem contas de suas vidas declarou "não vos deixarei órfãos" (João 14:18) e prometeu: "estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos" (Mateus 28:20).

Os apóstolos entenderam essa lição e prova disso é a história da Igreja narrada em Atos em que a prestação de contas e acompanhamento do que acontecia é descrito com detalhes. Dois exemplos conhecidos são os de Samaria e Antioquia. Recebendo informações a respeito do crescimento do Evangelho nestes lugares a Igreja em Jerusalém enviou os apóstolos para que aqueles irmãos entendessem o sentido de prestar contas, de relatar, de pedir autorização e mesmo compartilhar o que estava acontecendo (Atos 8 e 11).

A autonomia não pode ser confundida com liberdade. Esta última é sadia, necessária e imprescindível em qualquer processo. Ela anima, fortalece e dá sentido à existência.  Filhos, líderes, funcionários, membros de Igreja e cidadãos são livres! Você e eu temos esse patrimônio que nos foi dado pelo próprio Deus. Fomos chamados à liberdade (Gálatas 5:1) mas não podemos nos esquecer: não podemos transformá-la em pretexto para uma vida sem prestação de contas, sem regras comuns e sem obediência à Palavra de Deus e normas estabelecidas para o bom convívio social.

Líderes precisam aprender a importância da prestação de contas e ao mesmo tempo o perigo da autonomia. Charles Swindoll propõe quatro grandes perguntas para todo o líder sobre esse assunto:

1 - Você compartilhou seu planejamento com seu superior (seja o pastor, ministro de área ou líder de ministério) antes de compartilhá-lo com qualquer outra pessoa?
2 - Você presta contas de sua vida pessoal, casamento, finanças, planos de futuro a quem?
3 - Você compartilha suas decisões ou suas intenções?
4 - Você tem prazer em prestar contas ou se sente coagido a fazer isso? (The Church Awakening)

Você e eu não podemos ser autônomos em nossa liderança. Prestamos contas de nossa vida a Deus mas também aos nossos líderes. E essa prestação não significa apenas que avisaremos o que já fizemos mas sim que compartilharemos nossas idéias antes de tomarmos nossas decisões.

Precisamos criar uma cultura de compartilhar e prestar contas. Muita liberdade para pensar, criatividade para imaginar mas também responsabilidade para consultar e juntos construir o que é melhor para todos. "Prestar contas é a possibilidade de me submeter em liberdade a alguém que tem autoridade sobre mim para que não seja a minha decisão mas sim a nossa e que não seja o meu planejamento mas o nosso" (Jonathan Gallagher).

Você é autônomo? Ou uma pessoa livre para compartilhar?

Que usemos nossa liberdade para compartilhar nossos sonhos e submetê-los não às nossas próprias leis mas sim às de Deus e às das realidades onde estamos inseridos.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

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