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Reflexão

Do serviço voluntário à missão de servo

Há diversos textos bíblicos que nos mostram servos de Deus sendo provados e aprovados através das experiências da vida. Aqui, queremos refletir sobre a experiência de Moisés, um dos maiores líderes da história do povo de Deus.

A história de Moisés, resumida por Estevão, está dividida em três fases de 40 anos (Atos 7). É importante compreender essas três fases na vida desse servo de Deus para percebermos como o jovem voluntarioso (Ex 2) tornou-se o homem mais manso da terra (Nm 12), e o que isto significa para nós hoje. Como aconteceu com José, Moisés foi duramente provado e, finalmente, aprovado por Deus para ser participante da sua obra na terra.

A frustração do voluntário

Na primeira fase de 40 anos, Moisés recebeu esmerada formação religiosa de sua mãe e a melhor educação geral no palácio egípcio, tornando-se um homem poderoso em palavras e obras. Moisés tinha consciência da sua identidade e da sua missão, talvez fruto da sua formação religiosa. Por isso, considerou-se apto para iniciar sua missão de libertador. Mas cometeu diversos equívocos.

Quando viu um egípcio espancando um hebreu, (1) olhou de uma banda e de outra e não olhou para cima; (2) temeu a presença de homens, mas não temeu a presença de Deus; (3) quis ser libertador e tornou-se homicida; (4) tentou esconder o que tinha feito. O resultado foi a fuga para esconder-se do faraó. Não há registro de que Moisés tenha ouvido ou buscado a Deus. Tentou, sinceramente, fazer alguma coisa para Deus e para o seu povo, mas foi frustrado.

Deus não desistiu de Moisés, como ele não desiste de nós. Todos os que se dispõem a servir podem errar. Faz parte do processo pedagógico de Deus. Precisamos de pausas para reflexão. Como Pedro, tornamo-nos mais humanos quando temos de chorar amargamente os nossos fracassos. Só não erra quem nunca tenta servir e ser útil.

O preparo do vocacionado

Na segunda fase de 40 anos, de príncipe egípcio, Moisés tornou-se pastor das ovelhas do sogro no deserto de Midiã (Ex 2.18-22; 3.1).

Essa escola do deserto foi importante na formação daquele que seria o maior líder de Israel. Aliás, o deserto é terreno fértil da reflexão bíblica (Moisés, João Batista, Jesus). Tempo de reflexão, de crescimento, de maturidade. O homem poderoso aprendeu a depender de Deus.

O homem versado nas ciências do Egito reconheceu-se incapaz para a missão para a qual Deus o chamava. O voluntário se oferece; o ministro é chamado; o voluntário é capaz para a tarefa; o ministro (servo) precisa ser capacitado por Deus.

De acordo com o Novo Testamento, todos os crentes são chamados e capacitados por Deus (Rm 12.4-6; Ef 4.7; 1 Co 12.7,11). A Igreja é o Corpo de Cristo. Assim como não há membro no corpo sem função, também não há crente sem ministério.

Todos nós podemos servir como ministros de Deus, porque "Deus não chama os capazes, mas capacita os chamados". Deixemo-nos moldar pelas potentes e amorosas mãos do Senhor para que sejamos vasos de bênçãos.

A missão do servo

O chamado de Moisés começou com o encontro dele com Deus numa experiência de adoração (Ex 3.1-6). Isaías teve experiência semelhante (Is 6.1-3, 8). As ações que glorificam a Deus têm origem no trono e no altar de adoração. Moisés foi, primeiro, um adorador, e depois chamado e enviado por Deus como o líder libertador do seu povo. Não se ofereceu para fazer alguma coisa para Deus e para o seu povo, mas submeteu-se ao Senhor em adoração; por isso os sinais e prodígios procediam de Deus, glorificavam a Deus e abençoavam o povo.

Moisés serviu ao Senhor nos seus dias e profetizou a respeito do Messias (At 7.37-38). Com as experiências dele aprendemos que tudo coopera para o nosso bem e nos prepara para sermos bênçãos nas mãos do Senhor.

Na primeira fase da vida de Moisés, ele pensava que era tudo; depois, aprendeu que não era nada; por fim, reconheceu que Deus era tudo. A vida e o ministério de Moisés nos ensinam que na submissão completa ao Deus soberano somos felizes e cumprimos a missão que Ele tem para nós.

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