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Reflexão

A missão de Jesus como modelo para o exercício da liderança

Mt 9:35-38

Ser ordenado pastor ou exercer um ministério em suas comunidades é o sonho de todos os seminaristas! Enquanto vão cursando Teologia, Missões ou música os seminaristas vão sonhando com o dia em que serão chamados de reverendo, missionário ou ministro de música.

Depois de estudar tanto (ou enquanto se estuda tanto!) chega o momento de atuar. O momento de atuar nas igrejas é um momento de realização de sonhos, mas também é um acontecimento que dá um frio na barriga e logo chega a pergunta "Que devo fazer como líder"?!

Um líder não é feito pelo ato formal da ordenação ou investidura. Um líder é uma pessoa em constante construção. A construção do caráter do líder se faz pela observação constante do caráter do Supremo Pastor Jesus Cristo.

O líder, como pessoa que está em constante construção, precisa olhar sempre para a missão de Jesus. Não somente olhar para forma como Jesus realizou a sua missão, mas sobretudo tomá-lo como modelo. A missão de Jesus é (e deve ser!) modelo para o exercício de nossos ministérios!

Há três coisas no nosso texto que falam sobre a missão de Jesuse servem de modelo para o exercício da liderança nas nossas comunidades. Vejamos estas três coisas!

1) A missão de Jesus é realizada com a prática de ensinar, proclamar e curar

Jesus percorria todas as cidades e aldeias, e ali ensinava em suas sinagogas, proclamando a Boa nova do Reino e curando toda doença e toda enfermidade.

O v. 35 do nosso texto é um sumário da prática missionária de Jesus. Jesus percorria as cidades e as aldeias e ali realizava a sua missão: ensinava, proclamava o Reino e curava.

Parece que as mesmas necessidades que as pessoas tinham na época de Jesus são as necessidades que as pessoas têm nos dias de hoje: ensino, proclamação e cura! Penso que um ministério relevante para os dias de hoje tem que alcançar estas mesmas dimensões: ensino, proclamação e cura.

Jesus ensinava nas sinagogas, o que pressupõe que Ele fazia um estudo expositivo das Escrituras, como era de costume nas sinagogas. Um líder que quer ter um ministério relevante precisa se dedicar ao estudo para ter o que ensinar para seus liderados. O melhor alimento que um rebanho pode ter é o ensino expositivo das Escrituras Sagradas.

Jesus proclamava a Boa Nova do Reino. Quando estava fora das sinagogas, anunciava a presença do Reino de Deus. O líder também deve ser um anunciador do Reino de Deus e de seus valores - solidariedade, paz em um sentido amplo, amor, renúncia etc. Também deve ensinar a comunidade a viver os valores do Reino, bem como anunciar estes valores para o mundo.

Jesus curava toda sorte de doenças. Junto com o anúncio do Reino, vinham os sinais do Reino. Dentre os sinais, a cura das enfermidades humanas. Uma liderança que queira ser relevante para os dias de hoje precisa ser dedicada às necessidades físicas e psicológicas das pessoas. O líder existe para ser um servo de Deus entre pessoas enfermas física e psicologicamente.

2) A missão de Jesus é realizada com compaixão para com os que necessitam

Vendo as multidões, tomou-se de compaixão por elas, porque estavam exaustas e prostradas como ovelhas sem pastor.

Jesus, enquanto encarnação humana, era muito sensível às pessoas. Sua missão era eficaz porque Ele era sensível à situação em que as pessoas viviam.

O texto bíblico nos diz que Jesus foi tomado de compaixão para com a multidão que o seguia. Jesus é tomado por uma profunda ternura ao verificar a situação na qual se encontrava a multidão.

Muitas pessoas observam a miserabilidade das multidões dos dias de hoje com indignação e ódio, mas Jesus observava a situação da multidão com compaixão/ternura.

O ódio e a indignação muitas vezes enchem os nossos corações e nos impedem de agir. A multidão maltratada, explorada, carecia de tudo, principalmente de uma direção para suas vidas. A ternura de Jesus lhe possibilitou dar uma direção à multidão.

A situação da multidão era muito grave. A multidão estava exausta. É como se alguém lhes tivesse raspado o couro, como se fazia com os papiros. A multidão estava tambémprostrada. Estava como que cabisbaixa, sem auto-estima, castigada pela exploração/opressão alheia.

Aqueles que deveriam orientar e abençoar a multidão eram aqueles que mais a exploravam. Os religiosos da época exploravam e manobravam as multidões em favor de seus interesses. Jesus percebe que a sua missão deve ser bem diferente. Ele quer mostrar que as pessoas não devem ser massa de manobra, mas objeto de compaixão.

Penso que a forma de Jesus realizar sua missão também nos é exemplar neste aspecto, sobretudo nos dias de hoje. Quantas pessoas carentes, pobres, desesperadas, doentes, oprimidas e precisando de uma orientação espiritual são exploradas por até supostos ministros da Palavra de Deus. As multidões não precisam de mais ninguém que as explore, mas precisam de líderes que lhes abençoem e lhes curem as feridas!

3) A missão de Jesus é realizada com vistas ao juízo final

Então diz aos seus discípulos: "A seara é abundante, mas os operários, pouco numerosos; pedi, pois, ao Dono da seara que mande operários para a sua seara."

Esta era a missão de Jesus: ensinar nas sinagogas os valores do Reino de Deus, proclamar pelas ruas as Boas Novas do Reino , curar as multidões como sinal do Reino de Deus e sentir compaixão para com as multidões oprimidas.

A missão de Jesus era realizada com vistas à concretização do Reino de Deus. O Reino não é algo distante e abstrato. O Reino pode ser visto já/agora, mas ainda não se encontra de forma plena.

A missão de Jesus era realizada com vistas ao dia em que o Reino de Deus será algo pleno entre todos nós. Haverá um dia em que Deus há de estabelecer um juízo sobre a face da Terra, separando o trigo do joio.

Mateus 13 nos traz as parábolas do Reino. Na consumação do Reino, o trigo e o joio serão separados. O trigo (bons frutos) será separado e o joio (maus frutos) será queimado.

Nas parábolas, a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros os anjos. No nosso texto a ceifa já é vista como grande, mas os trabalhadores são insuficientes. Sem trabalhadores que separem o trigo e o joio não há como o juízo de Deus ser realizado.

A seara (campo cultivado, pronto para ser ceifado) está pronta, mas os trabalhadores são poucos. Jesus, então, incita os seus a clamarem ao Dono da Ceifa que mande mais trabalhadores. Esta é uma forma dos próprios discípulos de Jesus tomarem consciência da urgência da consumação do Reino.

A missão de Jesus visava a consumação do Reino de Deus. Visava também conscientizar aos seus discípulos da necessidade de que participassem deste Reino e de sua consumação.

Qualquer ministério que seja realizado nos dias de hoje deve levar a sério o Reino de Deus e a sua consumação. Deve levar em consideração que todo o trabalho que realizamos, ou deixamos de realizar, vai chegar diante de Deus para ser julgado.

Quanto mais o líder trabalha em favor do Reino de Deus, mais ele ajuda a concretizar o Reino e a sua consumação. Esta dimensão de urgência e juízo deve permear todo trabalho de qualquer líder.

Conclusão

A liderança não deve ser desejada como meio de obtenção de privilégios. O líder não é um privilegiado, mas uma pessoa em um profundo débito para com o Reino de Deus. O antigo lema continua valendo: quanto mais se recebe, maior é a responsabilidade em se fazer alguma coisa!

Não significa que liderar não seja uma atividade digna ou nobre. Claro que é. Não deve, todavia, ser almejada para obtenção de privilégios, mas para o serviço ao próximo. E serviço ao próximo demanda trabalho e muita responsabilidade e isso não é tarefa para qualquer um.

O meu desafio para todos os líderes, presentes e futuros, é o de serem líderes que exerçam a sua função inspirados na forma como Jesus realizava a sua missão. Isto significa construir um ministério que tenha: 1) Ensino, proclamação do Reino e cura; 2) Compaixão para com os que necessitam; 3) Olhos voltados para o juízo final.

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