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Reflexão

Aba Pai: o jeito certo de se relacionar


"E dizia: — Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice! Porém não seja o que eu quero,
e sim o que tu queres". (Marcos 14.36 - NAA)

Tudo na vida de Jesus impressionava seus discípulos. Suas palavras doces, olhar penetrante, sorriso acolhedor, braços abertos, ouvidos atentos, milagres surpreendentes, atitudes compassivas, até seu silêncio falava alto. No meio dessa lista estonteante, sua vida de oração destacava-se e produzia tanto impacto que seus discípulos não puderam resistir ao pedido: Senhor, ensine-nos a orar! (Lc 11.1).

Em sua resposta, Jesus ensinou que deveriam orar dizendo: “Pai nosso”. Surpreendeu ao apresentar Deus como Pai. Jesus não somente o chamava de Pai, mas de Aba, Pai (Mc 14.36), que, em aramaico, quer dizer “papai, paizinho, pai querido”. Estudiosos afirmam que em nenhum lugar na imensa riqueza de literatura devocional produzida pelo judaísmo antigo existe a expressão Aba como modo de se dirigir a Deus. A compreensão generalizada era de um Deus impessoal, distante, formal, rígido. Aliás, opinião de muitos ainda nos dias de hoje. Entretanto, Jesus abriu um novo horizonte de pessoalidade e aconchego para esse relacionamento com Aba.

Só pode chamar por Aba quem é filho. Óbvio, não? O fato relevante é que o escravo naqueles dias era proibido de se referir ao seu senhor com essa expressão. Daí o apóstolo Paulo ter ensinado: Porque vocês não receberam um espírito de escravidão, para viverem outra vez atemorizados, mas receberam o Espírito de adoção, por meio do qual clamamos: “Aba, Pai” (Rm 8.15). Conclusão: preciso ser feito filho (Jo 1.12-13).

Só consegue chamar por Aba quem se percebe como filho. Estranho, não? O fato é que muitos dos filhos não compreendem essa realidade e vivem como estranhos ao Pai, apesar de serem filhos. O trabalho maravilhoso do Espírito Santo é revelar essa verdade, como continuou o apóstolo: O próprio Espírito confirma ao nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16). Conclusão: preciso perceber que sou filho (Mt 3.17).

Só se habitua a chamar por Aba quem se posiciona como filho. Curioso, não? O fato é que muitos viram “adultos” e acham essa linguagem infantilizada. Grande tolice! Aos filhos fica estabelecido o direito de se aproximar com essa intimidade para todo o sempre. Devemos chamar de Aba assim como Jesus, pois em nós está o Espírito de seu Filho, como está escrito: E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho ao nosso coração, e esse Espírito clama: “Aba, Pai”! (Gl 4.6). Conclusão: preciso assumir o posicionamento de filho íntimo do Pai (Rm 8.17, 19).

Brennan Manning observa em seu livro “O anseio furioso de Deus” que Jesus está dizendo que devemos nos dirigir ao Deus infinito, transcendente e Todo-Poderoso com a intimidade, familiaridade e confiança inabalável que um bebê experimenta sentado no colo de seu pai quando diz: papai!

Jesus apresenta o jeito certo de nos relacionarmos com Deus: com simplicidade, sinceridade pueril, confiança irrestrita e confortável familiaridade de um pequenino no colo de Aba.

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