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Como realizar reuniões mais focadas


Em nosso dia a dia, passamos quase todo o tempo em conversas formais ou informais. Através dessas interações, avançamos ou recuamos em diferentes direções, tanto na vida pessoal quanto profissional. E quantas vezes, ao longo de um dia, estamos conscientes dos tipos de conversas de que participamos? O que acontece mesmo é que, na maioria das vezes, atuamos sem pensar no papel que estamos desempenhando em cada conversa, reagindo ao que entendemos quando ouvimos nossos interlocutores.

Distinguir os tipos de conversa de que fazemos parte, é um passo importante para quem deseja maior efetividade em reuniões, por exemplo. Rafael Echeverría, em seu livro “Ontología del Lenguaje”, afirma que um dos segredos para parcerias produtivas é a competência de conceber conversas, aperfeiçoando-se no discernimento de quando iniciar ou encerrar, e de como transitar entre diferentes tipos de conversa. “Estas são competências essenciais na construção não só de famílias harmoniosas e de casais capazes de enfrentar adequadamente seus problemas, como também de organizações empresariais eficazes”, ressalta.

Echeverría descreve alguns tipos de conversas entabuladas diante de desafios, que incluem os imprevistos cotidianos. Esse breve resumo pode ajudar a ampliar a consciência, apoiando o movimento entre um e outro tipo de conversa, de acordo com os resultados que buscamos alcançar. Aliás, mais do que resultados objetivos, o que me estimula mesmo a atentar para os tipos de conversas e a forma como posso atuar em cada uma delas é a satisfação que sinto quando saio de um bom encontro. Seguem as distinções:

  • Conversas com base em julgamentos pessoais – Quando algo acontece, imediatamente emitimos um julgamento sobre o fato e começamos e explicá-lo, atribuindo causas e consequências de acordo com crenças e valores. Quando enveredamos por este tipo de conversa – que inclui aquela que temos com nós mesmos – adiamos ações e nos detemos nas explicações. Procuramos dar sentido aos fatos, desviando-nos do domínio da ação, onde efetivamente poderíamos transformá-los. Há ocasiões em que utilizamos nossas próprias histórias para manutenção de algo que precisa ser modificado.
  • Conversas para coordenação de ações – Aqui tem-se a possibilidade de interferir efetivamente em um fato, modificando-o e dando conta das consequências que possam advir dele. É comum utilizar-se, nesta modalidade de conversa, de uma das formas mais eficazes de se dar conta de um desafio: o pedido de ajuda. Ainda que este seja evitado por muitos, que o associam à exposição de fraquezas, é ele quem abre caminho para a soma de potenciais individuais e para as ações transformadoras.
  • Conversas para ações possíveis – Diante do inesperado, nem sempre se tem a ideia do que fazer ou de como e a quem pedir ajuda. Por isso, se há algo que precisa ser resolvido ou modificado, esta é uma conversa eficaz. Há aqui a reflexão sobre os fatos, não para interpretação ou busca de sentido, mas para descoberta de novas histórias ou possibilidades transformadoras.
  • Conversas para possíveis conversas – Quantas vezes deixamos de conversar sobre algum fato porque julgamos que nosso interlocutor não está disposto a nos ouvir. Adiamos muitos assuntos porque achamos que nada acontecerá a partir de nossa iniciativa. Neste caso, nada mais oportuno que, mais uma vez, deixar os julgamentos de lado e iniciar uma conversa para abrir caminho para outras conversas. Parece redundante, mas não é! Sem ideias pré-concebidas, com abertura e respeito, pode-se simplesmente perguntar sobre a disposição de escuta, verificando se os julgamentos são válidos ou não.

São apenas quatro, dentre um sem número de tipos de conversas que podemos iniciar. Todos podemos ir aumentando a lista a partir das nossas experiências. O mais importante mesmo é sair do "piloto automático" para trazer mais propósito e foco às relações que estabelecemos nos diferentes âmbitos da vida.

O artigo foi originalmente publicado na página da autora no Likedin.

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