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Administração Geral

Projetos sociais: otimizando recursos e melhorando resultados


Ao longo dos últimos anos o termo "Responsabilidade Social" tem estado presente diariamente nas discussões acerca do posicionamento dos cidadãos e empresas. A despeito disso, podemos afirmar que este assunto é tratado pela Palavra de Deus desde o Êxodo (Deuteronômio 15:11), bem como nos primórdios da igreja (Tiago 2:14-17). Desta forma, entendemos que a atividade social do cristão e da igreja é um mandamento de Deus.

Claramente as igrejas têm esta percepção e procuram aplicar seus recursos na área social de diversas formas, mais comumente através da mesa diaconal, sociedade de senhoras, campanhas de arrecadação, entre outros. Tais iniciativas são nobres e muito importantes, tanto do aspecto social quanto do espiritual. No entanto, temos observado ao longo dos anos que as ações sociais das igrejas enfrentam dificuldades, sendo mais comuns as seguintes:

- Objetivos não definidos: não existe uma definição clara das ações sociais que serão apoiadas e executadas pela igreja.

- Falta de profissionalização: as ações sociais são administradas por voluntários. Assim, os projetos não conseguem se firmar, crescer, captar recursos e acabam por ser finalizados, sendo que, geralmente, os seus dirigentes passam a ter problemas com o poder público, já que as contas não são aprovadas.

- Ausência de controle, avaliação e monitoramento: com a falta de profissionalização e contratação de pessoal especializado para gerir os projetos, não existe verificação dos resultados alcançados, análise de pontos fortes e fracos e direcionamento das atividades.

- Limitada captação de recursos: as ações ficam restringidas apenas a "apagar incêndios". Desta forma, os projetos ficam descapitalizados e com tendência a não terem continuidade.

Apesar do verdadeiro "heroísmo" com que algumas igrejas e a sua membresia desenvolvem ministérios na área social, temos observado que apenas boa vontade, benemerência, solidariedade e sentimentos cristãos não são suficientes para fazer as ações sociais gerarem resultados importantes e expressivos na vida dos mais necessitados.

Assim, uma forte tendência que vem se firmando nos últimos anos, no intuito de resolver as questões acima apontadas, é a institucionalização das ações sociais, com a criação de organizações do terceiro setor, administradas e mantidas pelas igrejas. Isto tem ocorrido devido às vantagens que estas estruturas podem trazer, tais como: definição clara dos objetivos sociais; contratação de profissionais especializados; avaliação e monitoramento dos resultados; comunicação e transparência; parcerias com o poder público; captação de recursos através da utilização de destinações de impostos.

Em relação à última questão, as igrejas muitas vezes desconhecem as vantagens oferecidas pela legislação tributária à pessoas físicas e jurídicas, para que sejam incentivados investimentos sociais. Atualmente, tais destinações fiscais estão focadas em projetos culturais, cinematográficos, esportivos e voltados à criança e ao adolescente.

Os recursos que poderiam ser utilizados através dessas destinações fiscais à área social são vultosos. Segundo dados oferecidos pelo GIFE - Grupo de Institutos, Fundações e Empresas, no ano 2000 apenas 3,4% do potencial de doação para organizações do terceiro setor foram aproveitados - R$ 225,66 milhões - quando as empresas poderiam ter doado R$ 6,5 bilhões. Segundo a Receita Federal, no ano 2000, na área de projetos voltados à infância e à adolescência apenas R$ 7,48 milhões (7,27%) dos R$ 102,83 milhões que poderiam ser direcionados foram utilizados e, na área de ações culturais, apenas 23,4% foram aproveitados - R$ 96,19 milhões, enquanto que o disponível era de R$ 411,34 milhões.

É claro que para a utilização desses benefícios, a organização sem fins econômicos instituída pela igreja deve atender aos requisitos legais, com os seus registros e contabilidade em dia e, especialmente, com qualificações e certificações oferecidas pelo Estado em suas três esferas.

Há alguns anos tive a oportunidade de desenvolver um trabalho junto a uma igreja com vocação social muito forte. À época, tal igreja tinha vários projetos, sendo que, no entanto, cada um deles tinha uma diretoria e uma forma de captar recursos, não permitindo que houvesse um padrão de gerenciamento e, consequentemente, a membresia da igreja era continuamente bombardeada por uma série de campanhas de arrecadação.

Em um determinado momento a liderança da igreja entendeu que era necessário instituir uma organização única que desse um padrão administrativo a todos os projetos sociais. Os resultados foram excelentes, já que foi criada uma fundação para administrar todas as ações sociais da igreja e, com isso, ao final de quase quatro anos de trabalho, a instituição atendia cerca de 700 pessoas por semana, em cinco unidades espalhadas pela cidade (inclusive um acampamento), com atendimentos nas seguintes áreas: social, saúde, esportes e cultura, entre outros.

Assim, vemos na tendência de constituição de instituições ligadas às igrejas, a solução de grande parte das dificuldades enfrentadas pelas mesmas para investirem em ações sociais. Consequentemente, e o mais importante, com a boa administração dos projetos sociais, as igrejas poderão cumprir os mandamentos bíblicos de atendimento aos mais necessitados, abençoando pessoas que precisam da mão estendida do Corpo de Cristo para verem suas vidas transformadas.

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