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Administração Geral

Três falácias sobre as estruturas


Chamamos de ‘falácia' um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento ou falho. Também podemos interpretar essa palavra simplesmente como ‘engano' e é exatamente esse significado que quero utilizar para falar um pouco sobre estruturas.

Muitas pessoas olham para estruturas (administrativas, eclesiásticas, etc.) como se fossem sagradas, feitas para durar para sempre e mais importantes do que as próprias pessoas que estão inseridas nelas. Algumas pessoas chegam a apreciar estruturas como se elas fossem um elemento infalível. Aliás, esse pensamento era verdadeiro, pois as coisas eram feitas para durar, como bem diziam os nossos avós. E duravam mesmo. Tudo era feito de material resistente, com a expectativa de que não precisaríamos comprar outro objeto em prazo curto, pois a durabilidade do que comprávamos estava garantida. As estruturas estavam nessa mesma categoria: duráveis. Quando pensávamos em um modelo e o instituíamos como "nosso modelo", imaginávamos que gerações e gerações fariam as coisas daquela forma, daquele jeito, com aquele formato. 

Mas o tempo mudou, a forma de fazer as coisas mudou, a maneira de interpretar a história mudou, e agora as coisas não duram tanto. Nossos aparelhos eletrônicos ou utensílios domésticos quebram mais rápido. Assim também acontece com nossos veículos, moradias, máquinas, etc. E não seria diferente com nossa estrutura administrativa ou eclesiástica. A estrutura que usávamos há poucos anos parece não mais suportar as mudanças do dia a dia ou as inovações de nossa sociedade. 

As estruturas nesse tempo mudam com mais rapidez. Só que precisamos tirar de nossa cabeça algumas ideias equivocadas sobre elas.

A primeira é que AS ESTRUTURAS SÃO SAGRADAS.

Esse é o pensamento de muitos que chegam a reverenciar estruturas, mesmo que elas não funcionem mais. Acham pecado mudar a forma de fazer as coisas ou mudar o que foi instituído por algum líder do passado ou alguma equipe composta por pessoas de relevância dentro da comunidade. Estruturas não são sagradas: elas são instrumentos que, no momento em que perdem seu propósito, - ajudar no funcionamento de nossas comunidades - devem ser substituídas.

Outra ideia errada é a de que ESTRUTURAS SÃO PERMANENTES.

Aqui voltamos à ideia do ‘feito para durar'. É óbvio que, quando criamos uma estrutura, o fazemos com a visão de que durará o maior tempo possível. Mas, hoje, os prazos diminuíram, e nossas estruturas ficam obsoletas com uma rapidez enorme. O que fizemos para durar até nossa velhice se torna antiquada bem antes, e precisamos tirar de nossa mente a ideia de que nossas estruturas são permanentes. Elas não são, por mais que tenham sido construídas com zelo e excelência.

A última falácia é a de que ESTRUTURAS SÃO MAIS IMPORTANTES DO QUE PESSOAS.

Existem estruturas que são tratadas como o que há de mais importante na comunidade. Pessoas quase veneram tais estruturas, colocando as pessoas em submissão a elas, ainda que estejam antiquadas ou fora de seu propósito. Quem constrói estruturas? Pessoas! E para que servem as estruturas senão para ajudar as pessoas? Assim, quando uma estrutura se torna mais importante do que as pessoas, é sinal de que algo está errado, sinal de que o que é passageiro está sobre o que é duradouro - no caso, as pessoas.

Estruturas não são sagradas. Estruturas não duram para sempre. Estruturas não são mais importantes do que as pessoas. Medite nisso, avalie suas estruturas e, se for o caso, comece um processo de mudança!

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