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Estratégia e Planejamento

Os alicerces da criatividade


Existem basicamente dois fatores que produzem a pessoa criativa e inovadora: o talento e a habilidade. O talento é algo que nasceu com você. Portanto, é congênito, isto é, podemos ter talento de nascença, ou não tê-lo, e nada irá mudar isso. A habilidade, por outro lado, é o que adquirimos com a prática constante e todos podemos desenvolvê-la. Por isso mesmo, é bom lembrar que ninguém nasce campeão de natação: é preciso treinar dura e repetidamente. Da mesma forma, a criatividade pode ser treinada e desenvolvida, e como resultado disso surge a inovação, fruto da engenhosidade do ser humano. E como isso acontece? Eis dois exemplos.

1) David Ogilvy, britânico cognominado o pai da publicidade do século XX disse, certa vez, que "as boas ideias vem do inconsciente; para que uma ideia seja realmente relevante, o inconsciente precisa estar muito bem informado". Na verdade, ele tocou num dos pontos-chave da criatividade que é a informação armazenada em nosso cérebro, trabalhando em sociedade com o subconsciente.

2) Outra maneira é o uso constante da imaginação direcionada a um propósito. Einstein sabia disso ao afirmar que "a imaginação é mais importante que o conhecimento". Você pode argumentar que o conhecimento é mais importante, pois ele é a base de todas as informações a respeito de fatos e coisas. Einstein, entretanto, afirma que a imaginação é mais importante, porque é ela que precede e molda o conhecimento, o qual não passa de uma sistematização de dados e informações. Se você mora em um apartamento, alguém (arquiteto ou engenheiro) primeiramente o imaginou - isto é, planejou - e depois o construiu. O apartamento tomou forma só depois de imaginado e erguido. Se você senta numa poltrona confortável ela, inicialmente, foi projetada - isto é, imaginada - por alguém que, posteriormente, a fez. Aquela poltrona não existia antes; ela começou na imaginação de alguma pessoa e, posteriormente, foi feita.

O mesmo acontece com teorias e hipóteses. Baseado em estudos e hipóteses, imaginando possibilidades, Einstein criou a equação E = M C², onde E representa energia, M, é a massa, e C² a velocidade da luz ao quadrado. Portanto, toda energia é igual à massa de um corpo, multiplicado pela sua velocidade da luz ao quadrado. Einstein formulou a equação no início do século XX, mas não tinha como comprová-la, o que aconteceu só em 1933, confirmada pelos físicos franceses Irene e Frédéric Joliot-Curie, em Paris. A descoberta foi fundamental, pois deu origem à era atômica com todos os seus desdobramentos. Entretanto, o começo de tudo foram as pesquisas, ideias e a imaginação de Einstein. Eram as únicas coisas que ele tinha ao iniciar, mas foram elas que deram substância à sua teoria, hoje universalmente utilizada em usinas e reatores atômicos, sem mencionar a bomba atômica, aliás, muito criticada pelo famoso cientista.

Criatividade trabalha com o conceito fundamental de que é preciso "crer para ver".

Em se tratando de criatividade, existem duas frases assassinas da capacidade criadora: "Ver para crer", e "Só acredito vendo".

Pessoas que só acreditam no que veem estão em sérios apuros, quando se trata de criativi-dade, pois existem milhares de ondas eletromagnéticas, sons, odores, paladares, microorga-nismos, totalmente imperceptíveis aos seres humanos e que são fundamentais no nosso dia a dia. Por exemplo, ninguém consegue ver as ondas eletromagnéticas que trazem a imagem para o televisor, a mensagem do celular, ou o email da internet. Nenhum ser humano é capaz de detectar a radioatividade de um ambiente, somente o contador Geiger pode fazê-lo. Não obstante, a radioatividade pode matar uma pessoa, se ficar excessivamente exposta. Assim, o indivíduo que só acredita no que vê poderia acabar morrendo por algo que não vê, seja a radioatividade, um microorganismo ou outros fenômenos imperceptíveis para nós.

A criatividade trabalha com o conceito fundamental de que é preciso "crer para ver", atitude essencial para a mente inventiva, pois parte do princípio de que tudo começa no plano invisível, a imaginação e o subconsciente, para depois manifestar-se no plano físico. Sem essa premissa, a criatividade - e a inovação dela decorrente - é bloqueada no nascedouro, porque a inspiração e a engenhosidade da mente são impedidas de agir.

Texto extraído e condensado do livro "Manual de Criatividade Aplicada", de Ernesto Artur Berg, Juruá Editora. Maiores detalhes sobre o livro acesse www.quebrandobarreiras.com.br seção de LIVROS.

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